Há bocadinho primeiro estranhei-me, depois perturbei-me um pouco depois ri-me, depois não sei.
Nem sabia que tinha entre os meus "gostos" do Facebook a Praia do Meco. Tinha. E até aqui tudo bem. Gosto do Meco. Não sabia era que o Meco é politicamente engajado. Pelos vistos é porque publica fotos do Professor Salazar e tece considerações, lá está, engajadas. E é estranho. Quer dizer, não me parece que seja muito curial eu angariar uma legião de "gostos" com uma página mais ou menos unânime, sei lá "Bota like se gostas de arco-iris abelhinhas" e depois, "pumbas", publicação quando a coisa ganha visibilidade "Em cada tripeiro há um paneleiro!"
O certo é que estas coisas me perturbam. Estes tempos agitados de descontentamento e ponta de medo e tentações radicais mais afoitas a darem a cara. Até se percebe. Quando algures nas águas mornas do centro se multiplicou uma fauna parasitária e corrupta às tantas pensamos que algures em qualquer extremo esteja a salvação. O problema é que a História nos diz que nos extremos esteve quase sempre foi sangue. Primeiro sangue. Depois? Bom, depois os parasitas são bichos adaptáveis. A História também diz que se dão bem nos extremos sejam de esquerda ou de direita. Mudam os nomes, claro. Deixam de se chamar boys e clientes e passam a ter patente militar ou cargo do partido ou o nome da família certa. Pouco importa. Em qualquer caso estão sempre lá e procriam que nem coelhos. É...
Mas também vos disse que me ri. Pois ri... ... Foto do Salazar? Pela Praia do Meco? Tinha que dar em debate. A esgrimir as parvoíces dos costume e as sensatezes que nos vão tranquilizando de que o mundo não está completamente perdido. Às tantas alguém usava um dos argumentos mais simples e óbvios da democracia. "Já viste que com Salazar não podíamos estar aqui a debater?" - E alguém respondeu logo qualquer coisa como "Lá vêm de novo com esse mito. Ainda estou para conhecer alguém que realmente tivesse sido perseguido pelo Estado Novo por ter uma opinião diferente."
... o Rui pensa "Foda-se..."
Nem é uma questão de se ser de esquerda ou de direita ou preto ou branco. No fundo até podemos levar o debate para a questão quase cínica de que às vezes os fins talvez justifiquem os meios e de que a liberdade e a dignidade de cada um é um valor sacrificável à construção de uma utopia qualquer.
Mas haja o mínimo de pudor. Ou de honestidade, ou de cultura. Sei lá...
Em todo o caso, num espécie de paradoxo, são gajos assim que encerram a ponta de razão da evidência de que a democracia talvez seja um sistema demasiado imperfeito: dá voz aos imbecis.
Ai, ai, dói-me a alma. Sim, ri-me, perturbei-me de novo.
Depois?
Depois não sei...