Há dias um amigo diagnosticava o porquê de eu e uma outra pessoa não gostarmos um do outro nem como molho de tomate. "Têm ambos personalidade forte."
Eu fiquei a pensar nessas coisas das personalidades fortes. Porque assim de repente parecia-me que o catálogo é normalmente tido como elogioso. Se não, pelo menos, como não pejorativo. Mas quanto mais pensava no assunto mais me parecia que personalidade forte é no fundo um eufemismo da nossa gentileza de não admitir que determinada pessoa é parva, pior, parva e convicta, exercendo essa sua falta de sensatez de uma forma espaçosa e obstinada dos Titanics que investem com tanta convicção para o iceberg que o mais provável é que este rache ao meio, abrindo-lhes gloriosa passagem.
Será isto uma qualidade?
Do ponto de vista funcional ao exercício do poder, sem dúvida!
O problema é que é uma qualidade apenas do ponto de vista instrumental e se pensarmos bem neutra do ponto de vista das que me parecem as mais louváveis qualidades humanas,
Mas o facto é que vivemos num mundo que idolatra as personalidade fortes. Deve ser por isso que raramente seguimos líderes que saibam o caminho. Desnorteamo-nos atrás dos que tenham mais jeitinho para bater forte com o punho na mesa, os mais casmurros, beligerantes, espalhafatosos. Estas qualidades só por ocasional coincidência convivem na mesma pessoa com o talento da sensatez, assertividade, em resumo, com o talento de ter razão. Mais, com o talento ainda mais sublime de perceber e saber recuar quando percebemos que não a temos: a razão.
"Opá..." - concluía eu ... "Eu não quero ter personalidade forte!"
Sem comentários:
Enviar um comentário