domingo, 11 de novembro de 2012

Caderno de cartão

Oferecemos um caderno com capa de cartão ao Miguel. Aquele em que cada um escrevinhou saudades antecipadas e votos de fortuna. As épocas têm tiques e agora são cada vez mais os amigos que nos deixam e saem do país à procura de coisas que por cá já não acham. E não é o mesmo emigrar que vi ocasionalmente à minha volta. Esse era mais ocasional,  com sabor de folha caduca de uma comissão de serviço lá fora. Agora vejo a fuga da mão cheia de nada cá dentro. E francamente duvido que os meus amigos voltem e francamente até eu sonho mais vezes em partir.

No entretanto e nestas coisas fica aquele pedacinho vazio. Não é como que os nossos amigos morressem, nada disso. É apenas que morre uma peça do puzzle da vida como nos habituámos. E eu fico a pensar numa engenharia de dominó diabólica que não empurra só ocasos económicos em filinha pirilau. Empurra tudo, empurra todo o nosso Cosmos e afagos e sonhos.

Mas o Miquinhas tem razão. Dizia-mo ontem. "Nada me prende. Vou lá ver. Não quero ir com demasiada expetativa, não quero ir já de dois pés atrás. Vou lá ver." - É, é isso Miguel. Não vale a pena amuarmos e descabelarmos-nos que exigimos que nada mude. Mais vale ir lá ver o que vem a seguir.

E no fim? Bom, no fim, hajam saudades, olha, sejam dos amigos que vão embora e não do plafond de crédito.

Amén...

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