Um dos temas recorrentes dos meus anos de solteirice foi o romantismo da vida dos solitários na cidade. Talvez não seja impossível voltar aí mas será uma escrita de memória sem o sabor fresco de ir todos os dias beber à fonte. É um clássico. A vida a dois muda-nos os tiques. E suponho que também essa dê mil crónicas. Penso nisso na constatação de que a mais das vezes agora acordo naturalmente cedo a um Sábado. Desde logo porque é raríssimo que me tenha deitado madrugada a dentro. Acordar cedo, tratar das lides domésticas. Lembro-me de como sempre caricaturei os tiques de "cota" ao Sábado de manhã. Despertar cedo, ir comprar peixinho, comprar o jornal. Depois recordo-me dessa anedota com o Paulo. Foi há uns cinco, seis anos, já nem sei. O Paulo tinha acabado de se divorciar e tinha caído de chapão desajeitado na vida de solteiro, ainda atordoado. Nessa noite levei-o para jantar mais a Aurora e a Vera, creio que era a Vera. Ele estava a precisar de amigos solteiros. Para um recém-solteiro aturar os amigos casados é a mais das vezes veneno na veia, toda a gente sabe. E por isso fomos. Às tantas a Aurora, que era a raínhas das noites hard-core primeiro escalão pergunta-lhe "Se já tinha acabado as manhãs no Europa." - O Paulo sorriu e disse que nos últimos anos as manhãs dele eram mais no Continente.
A vida é cíclica, claro. Entretanto o Paulo terá descoberto o Europa e o resto de um admirável mundo novo. Entretanto conheceu a Mónica, juntou os trapinhos e o filme deu mais uma volta. Aposto que a esta hora está de novo no Continente.
Sem comentários:
Enviar um comentário