sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Casar com a Evita - Parte I - Vendedores de banha da Boda

O périplo na procura de onde fazer o casamento terminou. Ainda não tomámos uma decisão mas temos três propostas finalistas sobre as quais meditaremos sem sair de casa. O périplo esse terminou.

Para trás fica uma estupada de análises de espaços e preços e propostas mais ou menos indiferenciadas mas que levantavam dúvidas existenciais sobre se era preferível ter caipirinha ou camarão. De entre as milhentas propostas acabei por concluir que a diferença das coisas está no preço e no potencial do espaço. Ter o capital ou a herança que permitam um espaço nobre não é para todos. E é por isso que vimos espaços onde dava vontade de casar e outros em que dava vontade de comer frango no churrasco e em que até o epíteto de "Quinta" nos parecia abusado. 

Basicamente é isso! 

A comida é uma variável pouco variável. Haja dinheiro e haverá paparoca, muita e da boa. Se é boa realmente, lamentavelmente saber-se-à tarde demais. Nas ementas os nomes soam todos muito bem, com aquele toque de nouvelle cuisine com que os tempos rebatizaram todos os pratos, mesmo os banais.

A decoração é a tal coisa. Passei horas enfadonhas a ouvir narrar com não disfarçado orgulho os pergaminhos de cada casa. Alguém lhes devia dizer que oferecem todos o mesmo, embora todos teimam que têm a melhor decoradora floral e o melhor pasteleiro designer, com especializações feitas na Conchichina. Mas nem tudo foi tempo perdido. Eu sou um gajo simples que até à data distinguia sete cores, pouco mais. Mas achei fantástico saber que qualquer que seja a cor que enfeite as mesas do meu casamento, vai ser uma diferente destas sete que eu conhecia.

Finalmente a animação. A animação também é sempre igual. Má, portanto. Podia não ser má, claro. Se eu fosse rico. E trouxesse um quarteto de cordas para a apoteose da entrada da Eva na cerimónia. Depois podia ter um stand up do Ricardo Araújo Pereira e depois os Xutos pela noite dentro. Mas como o orçamento talvez dê para fogo de artifício (uau) mas não dá para nada disto, desconfio das propostas. Und DJs a preços escabrosos tendo em conta que vão tocar o que eu penso que vão tocar, umas bandas que vão ter que correr à frente da Eva quando não resistirem a tocar pimba e....                     ... bom o melhor são os apontamentos cénicos! Uma senhora descrevia-me com orgulho como seria a apoteose da entrada do bolo. "Então, é assim, vêm os nossos empregados com archotes e a carregar o bolo sobre uma espécie de liteira. E eles vêm todos vestidos de monge com uma música de canto gregoriano" - "Uau!" - pensei eu - e apeteceu perguntar se ela tinha pensado naquilo tudo sozinha.

Mas finalmente, não! A crónica desta demanda não ficaria completa sem referir o best of das tretas da banha da cobra com que nos brindaram...

Medalha de bronze - Eu comentei jocoso com a senhora que a Eva queria à força caipirinhas no copo de água e que estava com um favoritismo irracional pelas propostas que as incluíssem. Naquela quinta não era o caso. E por isso a senhora olhou para os números meditou por um segundo e atirou "Bom, não é por isso que deixaremos de negociar. Eu ofereço uma caipirinha aos noivos à chegada!" - "Eix! Prodigalidade!" - Seria uma para cada um?

Medalha de Prata - A comercial mostrava-nos a sua Quinta. Era a coisa mais feia que já tínhamos visto, pensava cada um para si. A moça que não deve ler pensamentos e não sabia por onde tínhamos andado parecia no entanto adivinhar o que nos ia na mente. E lá argumentou no desespero da venda quase perdida. "Sabe, isto decorado...            ... e depois depende muito do fotógrafo! Nas fotos parece outra coisa se for bem fotografado!" - E eu a pensar para mim "Isso é que é importante! Todos os que não vierem ao casamento não vão sonhar que era uma merda!"

Medalha de Ouro - Na mesma quinta - que se devia chamar Quinta das Ostras porque era só pérolas - a moça a ver a venda cada vez mais perdida esbarra noutra dificuldade quando nos diz que o espaço fecharia à meia-noite e a resposta é um esgar de desagrado.             ...   silêncio constrangedor entre as trincheiras da negociação...        ... sabe diz ela...            ... fazemos isto para proteger os noivos! A partir de determinada hora os convidados bebem demais, armam confusões, figuras tristes....             ... e estragam o dia.!     - E eu a pensar que o faziam porque as horas extra em pessoal roem a margem de lucro...           ... ah que gente de coração grande!

Bom, mas já está...

Próximo passo, local definitivo, data, convidados.

Aposto que isto ainda dá mais um monte de crónicas!


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