Somos todos um pouco loucos. Desde manhã nas caretas desvairadas ao espelho. Em cada divagação. Megalómanos, predadores, desamparados. E se nos não adivinha o desvario, é porque seguimos calados na multidão. Secretamente sonhamos e desejamos e alucinamos coisas loucas e não desconfiamos que o somos. Ou às tantas, sei lá, se por acaso acertamos mesmo em cheio na justeza das coisas e na fórmula do universo, não nos apercebemos, não acreditamos. Abanamos a cabeça na dúvida de que estejamos a ficar loucos. E é justamente porque não estamos que é também loucura. Nem sequer perceber as coisas que sabemos ver. A loucura. Ah, ela está por todo o lado e em cada mania e em cada intransigência santa e caída. Em braços abertos ou prostrados. Em fé, desalento, audácia e pavor. Adivinha-se no brilho e no vazio dos olhares, vidas desarrumadas e prateleiras de livros simétricos. Cosmos, caos, extremo, centro.
Vocês são todos loucos. Não faz mal. Eu também. Somos todos.
Apenas que uns são mais do que outros.
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