sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Montanhas que parem evidências

Lá fui ouvir o discurso da Isabel Jonet atraído pelo odor da polémica.

Não percebi o escândalo.

Os tempos exigem austeridade e também acredito que há todo um lado higiénico na sobriedade que agora se exigirá. O sabor amargo do Nestum são contas de outro rosário mais dramático, claro. Mas algures entre as franjas dos espoliados da sorte que podem não ter tido culpa nenhuma e dos iníquos que deixam a culpa solteira no altar, estamos nós. Os assim-assim. Assim-assim empobrecidos, assim-assim culpados, assim-assim prejudicados. Sem a cruz do Nestum mesmo se expatriados de um quinhão dos nossos sonhos algo fúteis, cabe-nos a escolha de amuar sem que isso sirva de nada ou aprender  a viver sem o supérfluo e a cerrar dentes no essencial.

Se bem entendi dizia-se sobretudo isto. Desde que a crise começou tenho meditado numa série de coisas saudáveis: dar mais valor ao emprego mesmo se anda longe de ser perfeito, como poupar, como empreender, como ter algum contributo solidário. A necessidade apura o engenho. Mais do que isso, pode espevitar a vida em nós. Lá está, em tempos de guerra não deprimimos. A humanidade é curiosa.

Isto tudo para dizer que ouvi e não me revoltou.

Lá está...

Não percebi o escândalo.


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