quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Auto das hormonas

E vai ele e diz  “Não queria nada!”
E vai eu “De certeza…?”
E vai ele “Quando precisar de uma namorada arranjo, não preciso de roubar!”
E vai eu “E se for uma gorda!”
E vai ele “Ou uma de óculos já agora…”
E vai eu “Óculos podias arranjar.”
E vai ele “Achas?!”
E vai eu “Só estou a dizer que de óculos não é nada do outro mundo.”

Pausa

- Não achas que ele gosta mas é da Sara?
- Ah isso não, o Henrique era incapaz.
- Eles são todos incapazes e depois…
- Não, isso, não conheço o Henrique bué da bem, era impossível.
- Oh como se tivesses a certeza!
- E tenho, conheço bué da bem o Henrique. Népia. Não era capaz, tenho a certezinha absoluta e metia as mãos no fogo. O Henrique não!

Pausa

- Sabes que o Pedro tem músculo?
- Wooow…
- Sério, até me deixou sentir. Ele pediu-me que o avaliasse.
- Que o avaliasses?
- De 0 a 10. Por partes. Corpo, olhos, cabelo. Tipo isso. No cabelo dei-lhe logo 2.
- Ya…
- Ele quer por parte porque sabe que em partes é muito melhor que no todo.
- Ya bem visto.

Pausa

- Ontem os meus pais foram às compras. Man…          … bué de coisas e depois puseram-me a mim a arrumar aquilo tudo. A nossa dispensa agora parece o Pingo Doce.
- O meu pai anda stressado.  É aquela cena, sabes? Estou naquela fase em que estou a deixar de ser menina e a ser mulher. Ele diz que se está a tentar habituar.
- Eu nunca me zango com o meu pai. O meu pai é fixe.
- Ya, o meu também. No Domingo quando acordei fui-lhe logo dar um abraço para ele ver que não estou zangada com ele. Até se assustaram. Depois ficaram para lá resmungões e eu saí do quarto.
- Epá, pareces os putos a ir ter com os pais à cama ao Domingo de manhã.
- Ya…

O 112 para ali ao pé do Conde Redondo e as duas adolescentes que me vinham a deliciar nas minhas costas sem que as pudesse ver saem. São duas miúdas giras e frescas. Do outro lado do vidro ainda vão a tagarelar. Com pena já não as ouço.

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