Nas legislaturas pós democracia, parece que mais coisa menos coisa os Governos andaram metade do tempo a reclamar para si méritos do pretenso sucesso pós adesão à CEE. Com o declínio a partir da ponta final de Guterrismo o jogo mudou e agora trata-se sempre de culpar recíprocamente os tipos da legislatura anterior.
Eu lembrei-me de uma piada de contexto pré Abril que o meu pai cita por vezes. Dizia-se que um GNR a cavalo era uma capicua, com uma besta por cima e outra por baixo, como uma carta de jogo. É o que parece a nossa democracia, lida da frente para trás e de trás para a frente. Nunca houve bons Governos, apenas Governos com bolsos cheios. Infelizmente isto vale no sentido ingénuo de meios disponíveis no erário e no sentido cínico do que se levou a bolsos próprios.
Deviam-se ir embora, deviam mesmo ir-se todos embora e isso força-se não votando em quem permite que permaneçam.
Pensamento a propósito de que tenho medo de extremos. E os extremistas não tarda a que se comecem a afoitar a ser opções aparentemente prodigiosas aos olhos da deceção. E essa deceção é terreno fértil para que os raivosos pastem no peito dos tontos. O resto é História e é História cíclica.
E é por isso que dou por mim a pensar que é preciso limpar a cidade para não dar pretexto a que lhe peguem fogo.
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