Hoje estive a fazer contas à retrospetiva da fortuna que já paguei pela minha casa. Ainda nem metade do total do empréstimo foi, nem por sombras. Mas se lhe somarmos os juros já paguei quase tanto quanto a casa vale e que por sinal é substancialmente menos do que aquilo que paguei por ela. Depois olhei para a frente e vislumbrei o ano em que acabarei de pagar o empréstimo. Estarei velho. Provavelmente ainda trabalharei. Mas estarei velho. Isto se nenhum contratempo pelo meio me levar a casa bem antes de estar velho. Vendida já paga o empréstimo, rés-ves Campo de Ourique, mas paga. Menos mal. Uma coisa é certa, os sonhos de que a vida vá melhorando, ser promovido e tal e pagar a casa mais rápido, comprar uma casa maior, os putos o cão e o jardinzinho e todas essas coisas que sonhávamos quando ainda pensávamos que éramos classe média em ascensão... ... todos esses sonhos se vão esfumando e fica só esta minha folha de excel tenebrosa em que de repente me sinto roubado embora não saiba bem como nem por quem...
O mais assustador é sentirmos que pouca escolha houve. Uma espécie de mão invisível move os dedos em cartel e faz rodar o ciclo da vida de uma quinta de formigas. Tive um chefe que adorava a expressão "levar os bois pelo curro". É isso mesmo. Boi em curro. Ocorrem-me mais metáforas, claro, como a da golpada do cigano que nos baralha com os trocos e nota vai, nota vem no fim ficamos com metade do dinheiro na mão. Mas a minha preferida é a de boi pelo curro. No fim morremos cansados no fim do calendário de prestações em que pagámos o equivalente a esta vida e à próxima encarnação. Língua de fora e só falta mesmo o corte de orelhas para que a glória do toureiro seja total. Não o conheço, mas ele tem que existir.
Olé...
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