sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Eu e o Coelho

Não somos assim tão diferentes. Primeiro porque nenhum de nós parece ter jeito para arrumar a casa ainda que ambos alegadamente nos esforcemos.

Eu cá sou dado a momentos obsessivo-compulsivos de meter ordem em tudo na minha vida: fazer a cama, varrer o chão; arrumar os CD's por ordem alfabética e as fotos por ordem cronológica. Mais! Começar a estudar como deve ser para aquele exame e fazer exercício e dieta e aprender coisas charmosas sobre culinária e vinhos e Feng Shui. E poupar dinheiro e não comer porcarias fora e tomar o pequeno almoço em casa e escovar a gata. E no fundo recuperar num período espártano, enriquecedor e intenso de todas as barbaridades com que semi arruinei e limitei a apoteose da minha existência nestes primeiros 36 anos de vida.

Repare-se que acabo por nunca fazer nada disto nem como deve ser nem em toda a abrangência de boas intenções nem durante mais do que uns dias. Porque todos esses frutos utópicos, se é que bem pensados valiam realmente a pena, tinham um preço alto: sangue, suor e lágrimas e fominha, já para não falar numa trabalheira desgraçada. No fundo no meio termo de não fazer nada e ir fazendo alguma coisa, sou mais feliz do que no não fazer mesmo nada e fazer mesmo tudo. Chama-se qualidade de vida porque a vida é isso, de equilíbrios entre a sobriedade e a efusão, a produção e o usufruto.

O problema é que o Primeiro Ministro parece não saber isso e está a viver uma idêntica obsessão de arrumar a casa. E mesmo que os números façam sentido(oxalá), pelo meio martela-se uma geração no orçamento para as coisas baterem certo daí para a frente(oxalá). Martelam-se acessos à saúde e à educação e à segurança social. Claro que há rúbricas que nunca se martelam mesmo que ajudassem a compor as contas. Porquê? Porque mais vale martelar uma geração do que martelar o dedo e até o Pedro sabe disso. Pôrra...

Em suma...

Estamos fodidos!


Sem comentários:

Enviar um comentário