domingo, 9 de setembro de 2012

Crise, qual crise?


Falávamos de tudo o que se vai passando. Impostos, incerteza. O Jaime às tantas comentou que lentamente íamos a caminho de perder a possibilidade de uma vida digna. Depois riu-se, encolheu os ombros "E aqui estamos nós à espera de mesa na marisqueira a chorar de que não temos vidas dignas."

Mas não é a dignidade que se perde. Por ora ainda não. É a certeza do que quer que seja. Há um ano atrás o preço de uma tarde de petisco entre amigos, seria na mesma pesado para ser rotina, seria  na mesma um excesso, desses que dão a tal dignidade à vida em que um dia não são dias.

A diferença agora é que um ano depois pesa um pouco mais, só um pouco. Mas nem é por isso. A grande diferença é que um ano depois amarga um pouco a incerteza de que seja prudente permitirmos-nos isto.

Ainda não era uma crise da nossa vida. Pelo menos para aquele pequeno grupo de amigos a beber cerveja, a rir e a descascar marisco.

Mas já é a crise da nossa serenidade.

Sem comentários:

Enviar um comentário