Num fio condutor mais ou menos arrevezado e inconfesso da crónica anterior hoje apetece-me falar de Berço. Há muitos berços. Uns são o topo de gama da Chico, outros são de marca branca. Alguns herdam-se de geração em geração e isso normalmente quer dizer que ou se tem muito berço ou muito pouco. Tudo visto no entanto, são apenas camitas XS e está por demonstrar que moldem o caráter de quem quer que seja...
Mas este prefácio em guisa de piada non sense não responde à questão simbólica do peso de um nome. Os nomes são coisas importantes. E talvez isto seja difícil de compreender pelos Martins ou pelos Silvas mas o nome encerra em si todo o valor de marca que precede sequer a auto-consciência do fenómeno do Marketing. Qualquer produtozito enfezado com um logo sonante é logo outra coisa. E é por isso que nos esforçamos por adquirir uma marca prestigiada quando ela não veio desde logo gravada a letras douradas no nosso berço. Há várias formas de o fazer, claro. Pelo rebranding de escrever Marttins com dois "ts" ou por uma joint venture de um matrimónio que credibilize. "Cortez e Silva" é logo outra coisa. Ainda não é perfeito, é certo. Mas com sorte o tempo lavará o mau sangue dos Silvas dos mosaicos da estirpe. Deus queira...
Mas a grande questão é: quanto é que vale de facto um nome?
E eu digo. Muito. E pouco. Se for bom, se for realmente bom, se for o nome de um pai honrado, de uma avó virtuosa, de um tetaravô que seja que marcou a diferença, se for enfim um nome que envoque memórias honradas, então esse nome terá o encargo de um farol que nos convide a ir por aí, crentes no exemplo e fiados na vaga probabilidade acrescida da genética.
De resto muito pouco.
Um nome não é a presunção inilidível da superioridade de idiotas que crêem em mitos que lhe tragam guarida. Ou melhor, é. É-o tantas e iníquas vezes... ... mas uma mentira vivida todos os dias não deixa por isso de ser apenas isso, um logro.
Eu creio cá para mim que devemos todos ter um nome secreto, inconfessável. Aquele que nós próprios só no fim de contas percebemos que é por esse nome que devamos ser chamados como quem chama os bois.
No fim é por ele e apenas por ele que valemos.
Sem comentários:
Enviar um comentário