O gajo encheu o peito de ar. Uma peitaça grande, cheia então... "O comprimido resulta mesmo, pôrra!" - a malta riu mas ninguém deu sequência. Take 2. "Ah caralho, é que a merda do comprimido resulta mesmo!" - Pôrra, estou a ficar lixado, se os amigos não lhe dão sequência atiro eu um "Então pá?" - Mas não foi preciso. Sai um gajo do duche a rir-se. "Então pá?" - "Epá, quando lá cheguei já ia maluco, apertei logo com ela! Foi na cozinha. Depois quis fugir! Mas eu disse-lhe, "anda cá..." - e pimba foi sempre a abrir. Hoje deve estar toda assada." - Se houver um segmento de bazófia porno, é este gajo. O gajo esvazia a peitação grande num suspiro. "Ahhh, é que o comprimido faz mesmo efeito..." - Suspiro. Eu normalmente colo-me a roubar as conversas dos outros para escrever crónicas. Desta vez não foi preciso. O gajo está a declamar poesia para aquele balneário cheio de testosterona tatuada. É o Cícero da zona. "Dezassete aninhos, ainda custa. Mas já é mulherzinha, tem que ser..." - Há um gajo que atira a ironia "Mulherzinha mas menor, meu..." - "Ah já sei quem é, é aquela que ficou a fazer a segunda aula?" - "Ya..." - Vai outro gajo para o duche a rir "Epá, bacano da tua parte contares tudo. Mas não valia a pena, daqui a bocado perguntávamos a ela." - Eu pego no saco, rio-me para mim e preparo-me para sair. Já tenho crónica. Uma crónica parva, gratuíta, gráfica e com cheiro a gel de duche e mistura de desodorizantes machos. Levo apenas um travo a amargo na boca. Ali só eu pareço não saber quem é ela. Tenho que fazer amigos no balneário!
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