Polaroids num painel de cortiça
18:30 - O Rui e a Eva pedalam imenso sem sair do mesmo sítio no ginásio. Ele comenta que está a adorar o livro que está a ler. Ela que ainda pensava ser o anterior estranha-se "Gostaste disso?" - Refere-se a "Na Estação de Grand Central sentei e chorei (algo assim) - não, claro que não... - "Opá, não, desse desisti, é intragável!" - Ela abranda o ritmo quase a chegar à meta dos 15 minutos e encolhe os ombros . "Estava a ver. Mas sei lá. Como és um bocado pseudo-intelectual..." - Que lata! E de repente lembro-me da Ritinha que me achincalhava do mesmo só porque estraçalhava a sua devoção pela saga dos Transformers.
01:00 - Acabei de ver o Taken no Hollywood. Ainda estou meio a tremer. Mas que bela chachada de ação! Emocionante, heróica, violenta e com os ingredientes certos de adrenalina e sentimentalismo. Um ex operacional da CIA vai salvar a filha de uma rede de tráfico de mulheres. Salva mesmo e pelo meio, contas do IMDB mata 35 fulanos que realmente as estavam a pedir. Pôrra! Adorei o filme. Mas isso deixa-me constrangido. É um filme com uma dose forte de disparate que me faz lembrar uma velha rábula do Herman "Raptaram o Presidente dos Estados Unidos e Joe Fagundes entra em ação!" - Vou para o Facebook em acto de contrição parodiar o meu próprio entusiasmo. Aparece a Ana "Epá, esse filme é muito bom!" - Se há gaja culta e arguta que eu conheço é a Ana. Devia estar constrangida de dizer aquilo sem mais nem menos "Esse filme é muito bom!" ... ... sem, sem... ... pudor! Ao menos não me chamou pseudo! Menos mal...
01:10 - Lembro-me de como ontem a Vera me desabafava sobre o marido "não é culto, enfim, não há pessoas perfeitas!" - E eu guardava na altura e recuperava agora a sensação de que a Vera é parva. Sem rendilhados o Pedro é das pessoas mais sensíveis e sensatas que conheço. Em compensação a Vera nos seus ares de designer empertigada é apenas parva e nem toda a bagagem cultural sobre o dandismo e o cubismo a salvam disso. "Mas eu não sou pseudo!" - acrescenta o Rui ao rol das suas divagações e vai dormir no processo de osmose de sonhar isso e aprender alguma coisa.
07:00 - O Rui abre ao acaso uma página que fala sobre o princípio fundamental de Krav Maga. "O movimento mais simples é sempre o melhor"
...
não necessariamente, claro. Mas não tem que ser o pior.
As coisas são ou não são. Na sua simplicidade. Mesmo na sua facilidade, se quisermos. Ou no culto intrincado de reinventar o que é por baralhar muito bem e dar de novo.
O resto são exercícios de ego. Não, não é verdade. São sedentarismos de egos que andam por aí gordos e bem podiam perder uns quilos a exercitar-se na simplicidade e tolerãncia.
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