A Dona Margarida contava-me hoje das vias de facto a que chegaram as lutas de poder da LUSALMA. O Presidente da Lista Vencida há meses nas eleições para a Direção foi acarinhando primeiro uma guerra psicológica de "elogios" veiculados pelo Facebook contra o Presidente que renovou o seu mandato. Como se isso não chegasse acabou por o confrontar numa ocasião social do organismo. Conseguiu o que provavelmente sentiu a necessidade de fazer desde o primeiro instante, dar um par de valentes murraças no outro e limpar no punho a vergonha do descalabro nas urnas.
Bom mas talvez eu devesse ter começado por vos dizer que a LUSALMA é um projeto de universidade de terceira idade em Almada e que os antagonistas têm selo geriátrico: um padre que descobriu nova vocação no amor de uma paroquiana e no Inverno da vida novo rebanho nos discentes reformados... ... e um Coronel na reserva que provavelmente não conteve as saudades da guerra.
Importa também dizer que a LUSALMA não tem quinhão de fortuna, fama ou glória que se possa saquear. É um projeto louvável e humilde de dinamização para a terceira idade. Dá trabalho, suponho que o gozo das obras feitas. Pouco mais...
E então, porquê?
Um velho professor disse-me que há dois tipos de guerras, as económicas e as ideológicas. E que sob o pretexto e a bandeira de ideologias quase sempre se esgrimem na verdade ascendentes económicos.
Mas eu vou mais longe a desmontar a matrioska e diria que da Guerra Mundial às Guerras do Alecrim e da Manjerouna se esgrimem sobretudo egos. Egos gordos, mórbidos, doentios que esmagam tudo o que houver em redor e propiciam tragédias na depredação que os alimente.
Pode ser o Trono do Mundo ou a Junta de Freguesia. Pode até ser a LUSALMA. Pode até ser muito menos...
Em tempos inventei em meu redor a paródia do Clube dos Solteiros, firma que traduzia um grupo de amigos simpáticos e encalhadíssimos que bebia copos em alcateia para driblar a solidão das coisas. Era apenas isso. E foi por extensão da paródia que inventei cargos e tudo. Uma Presidente, um Secretário Geral - cargo que reservei para mim numa manifestação da minha própria megalomania. Os outros eram os vogais, comuns mortais sem protagonismo nesta secreta sociedade. Mas não há modelos societários unânimes. Não tardaria a que me chegasse o desabafo dos espoliados da glória "Sabes, Rui, fulana pergunta-se porque é que a Presidente há-de ser cicrana e não ela..." -
... suspiro...
... note-se que a Presidência apenas consagrava um direito. Que lhe fossem consagrados muitos brindes, inflamados e vagamente patetas na partitura das noites que perdíamos todos juntos por aí. Mas os egos são gulosos ogados que limpam o prato até à migalha. Agora que penso, e sem certeza de uma memória que por vezes já me dribla, também aqui a fação contestatária meteu a mão na cara do poder instituído. Será? Ia jurar que sim...
E no fim? Bom e no fim fica um vencedor, sempre, sobre um monte de cadáveres dos corpos e dos egos derrotados. Glorioso, finalmente satisfeito até que tenha fome de novo. Sorri e confessa-nos, não sem vaidade, a parafrasear esse velho boneco do Herman
"Eu é que sou o Prrrrresidente da Junta!"
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