Há quem diga que no nascer e no morrer somos todos iguais. Não é verdade. Os berços são diferentes. Tudo o mais é diferente ao longo da vida. Até num simples peido. Os pobres peidam-se os ricos aliviam-se. A morte não havia de ser diferente.
E eu pensei isto tudo ao passar à porta das instalações que o Banco Privado Português mantém aqui nas imediações. Uma placa dourada em baixo relevo com augustas letras cinzeladas impõe a majestosidade mesmo se fúnebre. "Banco Privado Português - Em Liquidação" - Nem mais! Até as letras do epíteto fúnebre "Em Liquidação" são de uma elegância nobre. Os gajos mesmo falidos mandaram fazer uma placa novinha para incluir - sempre em baixo relevo - a nota de rodapé de que o dinheiro ardeu, o deles e o dos clientes.
Quer dizer...
Eu percebo pouco de contabilidade mas arrisco-me a dizer que se não estou falido quer dizer que a minha situação patrimonial é melhor que a do BPP. Ora a mim custar-me-ia pagar esta placa que dá ares de ter custado uma pequena fortuna. E eu já decidi que não me meto em mais encargos enquanto não acabar de pagar o frigorífico. E por isso acho imoral que o Banco ande a gastar dinheiro dos credores nestes pequenos luxos.
Se fosse o Café do Xico Zé seria a fita-cola na vitrina que estaria uma folha A4 ramelosa a anunciar "Falimos. Deixe a correspondência na Mercearia do lado"
Mas ali não. Um banco daquele não dá o peido mestre - por muita merda que passe debaixo da ponte.
Liquida-se. Morre de pé!
Touché!
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