Um gajo de vez em quando deixa-se levar por uns devaneios num misto de elan e consumismo e drible da banalidade dos dias. Ontem não resisti à última pechincha do LIDL e trouxe um tabuleiro daqueles com pés para tomar augustos pequenos almoços na cama.
E hoje foi com entusiasmo que acordei e acorri à cozinha. Uma bela meia de leite home-made, requeijão e alface sobre fatias de pão saloio. O charme da vida está nessas pequenas coisas com que nos mimemos.
Mas o charme da vida não está em que, depois de tudo pronto e equilibrado sobre o tabuleiro, uma das pernas, demasiado próxima do precipício do fim da mesa da cozinha, resvale no caos de um chão de mosaico lavado a leite com café e a minha sandes transformada em açorda. Pelo meio, danos colaterais, peças de roupa da Eva que dobrara carinhosamente a um canto, vindas da rotina de lava e seca (passar é que não) voltam ao início da linha de montagem comigo na incerteza de que aquelas nódoas saiam.
Respiro fundo.
Mas sou um charmoso persistente e repito todo o processo de confeção do meu pequeno almoço na cama.
Desta vez a coisa correu sem percalços.
Até chegar à cama...
Nada daquilo bate certo. O meu edredão que parece uma nuvem soa-me a solo demasiado instável onde arrisque nova tragédia com o tabuleiro. As pernas parecem demasiado curtas para colocar em ponte sobre o caudal da minha silhueta pouco esguia. Contrariado, esqueço o tabuleiro e pouso o repasto na mesa de cabeceira. A Eva olha-me em tom de gozo. Como estamos zangados não me diz nada. Mas deve estar a gozar a cena à grande numa gargalhada contida.
Mas eu não desisto!
Ainda hei-de ficar na cama a comer torradinhas e a ver chover. Apenas não estava escrito que seria hoje. Seja como for está Sol.
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