segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O fim da piada dos vox populi

Já não me consigo rir.

As crispações trazem sempre o pior à tona. Há sempre uns quantos que são bichos perigosos à espera de uma oportunidade que a acalmia não dá. E depois há os muitos que perdem as estribeiras e se esquecem das pessoas que são em fundamentalismos que nem sabem bem porque raio perfilham.

Andei por aí a ler os debates em rede do por estes dias em que todos se crêem politizados e especialistas em demasiada coisa. É sempre mais do mesmo, o gatilho leve no insulto, com muita sorte o argumento assertivo de arremesso mas a completa incapacidade de meditar na assertividade do contra-golpe. Sobretudo muita agressividade a extremar-se em faíscas de ódio. Os outros são gentalha e esquerdalha e fascizóides e porcos e isto e aquilo. Os outros estão sempre errados e os outros são sempre corruptos e malandros e parasitas. Os nossos são todos uns gajos porreiros. Porque os outros é que são todos uns filhos da mãe. Nós é que sabemos tudo e pelos vistos não conhecemos os outros de lado nenhum. Os outros não são nossa família e amigos e colegas de trabalho. Os outros de certeza que não são o tipo cordial lá do serviço que nos ajuda sempre quando precisamos. Porque esse tipo, das duas uma, ou é dos nossos ou agora não é momento para pensar nisso. Filhos da puta, são todos uns filhos da puta.

Será que já pensaram na quota de razão dos argumentos dos outros? Na linha de raciocínio, na perceção subjetiva - não é o mesmo que errada- que o levou até ali. Já experimentaram meter-se na pele e no espírito do outro? Já pensaram que o outro é aquele com o qual temos muito em comum e que agora só nos separam convicções vagas sobre assuntos em que não temos, nenhum de nós, arcaboiço para conclusões definitivas?

Vou apostar que não...

A falta de inteligência costumava divertir-me. Por estes dias entristece-me. Pior, assusta-me.

domingo, 25 de outubro de 2015

O Governo do chouriço

Não, não é o de Pedro Passos Coelho. Bom podia ser. Mas para o caso não é. Pedro Passos Coelho é um chouriço no sentido figurativo de triste figura e eu estou a falar em chouriço a sério. Enchido do bom.  Éramos nós os três de volta dos petiscos à mesa. Um à direita, outro mais ao centro. E gracejavam estes dois que eu era o comunista de serviço. Mas era só porque faltava ali um camarada para me definir como um troca tintas do centro. Lá está, é como nos telemóveis, é preciso três antenas para nos posicionar exatamente.

Mas eu dei por mim a pensar que, mais divergência, menos divergência todos concordávamos no essencial: que a esquerda pode depois não ter razão em muitas soluções de matriz ideológica que ninguém quer mas que tem no diagnóstico: tal como está a dívida é pura e siplesmente impagável e que nos vamos eternizar como servos da glebe de uma agiotagem financeira; e que esta direita em concreto tudo o que implementou foi uma uma solução de confisco que adia tudo: o estouro das contas e a reforma necessária; e que mais tarde ou mais cedo vamos ter que dizer para dentro que a reforma é necessária e para fora que a dívida tem que ser negociada. Não fazer nada e permanecer nesta solução - fácil para uns e dolorosa para outros - de imposto é inútil: reformar só, renegociar só, tudo é inútil. Há que fazer tudo, por muito que nem os portugueses nem os credores gostem que lhes digam "não vai ser tudo como queres". 

Concordávamos numa outra coisa. 

Precisamos de outros que façam isto. Não é este governo de cobradores do fraque por endosso que o vai fazer. Certamente não são os nossos credores que o vão fazer. 

Precisamos de algo que não é de esquerda nem de direita porque pode ser isso tudo e nada disso.  De uma visão nacional. 
Este Governo não tem visão nacional, não tem competência e é muito óbvio que não tem honestidade. A alternativa de Oposição tem na minha opinião pessoal apenas o benefício da dúvida porque também pouco se explica de soluções que me dê grandes convicções.

Pelo meio fica um povo português de auto-estima esquizofrénica. Que rasga as vestes de indignação a cada choque fiscal e que sai à rua a maldizer o Governo e a Troika. Que crê que somos credores de toda a solidariedade e devedores de responsabilização nenhuma ou que faz a apologia dos maiores sacrifícios conquanto não sejam exercidos na primeira pessoa. Um povo que se divide a querer sair da Europa sem saber realmente como e de abanar a cauda como um cão sempre que a Europa e o mercado lhe façam uma festinha. E eu, nós, ali à volta do chouriço, a concluir que as relações não têm que ser nem de fratura nem de submissão. Mas isso pede que nos responsabilizemos. Cumpramos, exijamos, organizemos e sim, sacrifiquemos.

E a verdade é que conclusões assim são apenas a abertura de portas para muitas interrogações. E isso não me choca.

O que me choca é ver tanta gente com tantas certezas. De que este Governo é a solução. De que uma Esquerda fraturante é a solução. Porque afinal se três palermas divergentes à volta do chouriço conseguiam concordar em que tudo isto é um disparate que adia o caminho é porque isto não deve ser assim tão pouco óbvio.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Reflexão à esquerda

A esquerda esteve quase lá. Está quase lá, não se sabe bem. Há ainda uma terceira hipótese: que este cenário venha evidenciar que a esquerda, tal como se posiciona nunca vai passar disto. Do quase lá, em cenários raros como este: uma direita debilitada pelo desgaste de uma legislatura à bruta e um centro inepto que desague nesta conjuntura improvável em que teve os votos todos que potencialmente poderia ter e mais alguns absolutamente excecionais.

Mas pode estar sobre a mesa a evidência de que esta esquerda, assim, não tem como ir mais além.

Assim que se percebeu o peso inusitado da bancada esquerda, a Direita e até um certo Centro conjuraram o demónio de todos os preconceitos e fantasmas antigos que rodeiem a esquerda dita extrema, comunista, leninista, maoista, trotskista, etc, etc, etc.

Há muito de fanatismo e jogo sujo em todo este discurso exacerbado de Direita, a inspirar medo às hostes, claro que sim.

Mas também há medida de justiça já que PCP e BE não renegam o comunismo de todo, desde logo nas suas marcas partidária e em vários sentidos nos seus conteúdos programáticos. Se nos deitarmos a ler os seus programas eleitorais percebemos várias coisas: não há ali uma agenda nem de comer criancinhas ou de relançar o PREC como se sensacionaliza. E no entanto em várias questões a matriz ideológica comunista permanece lá como o dedo leve na nacionalização de - cá para o meu gosto - demasiado. Fala-se muito em direitos dos trabalhadores e eu gosto disso mas continua-se a olhar com um soslaio bacoco para o capital que fomente empregos e disso já não gosto tanto. Depois vem a Europa da qual se quer sair e renegociar a dívida sem explicar muito bem se somos viáveis sem esse Big Brother. Bom mas aí é justo, a Direita também não explica que a dívida é impagável e que a única solução que lhe ocorre é ir empatando a questão com cargas fiscais que não vão solucionar eternamente. Para treta, treta e meia!

Para lá daquilo em que a esquerda comunista e bloquista (eufemismo de mais comunistas) se demonstra melhor do que a pintam, exatamente como a pintam e igual na demagogia aos que a pintam sobra uma questão:

O que é que essa esquerda pode ser para corresponder realmente aos ensejos da sua base eleitoral? A sua base eleitoral possível para lá do fumo de votos de protesto e votos que lhes são dados não pelo seu programa como um todo mas ao invés, justamente, apesar de uma boa parte do seu programa?

Haverá realmente muitos comunistas para votarem convictamente em partidos comunistas?

Francamente creio que não.

Num país de cultura política pouco esclarecida creio que a esquerda, essa esquerda que navega de meio do PS para a esquerda confunde uma série de coisas com comunismos ou, por outra via, com a visão clara que não quer ser realmente comunista, confere o seu apoio aos comunistas por uma série de virtudes que se associam à esquerda portuguesa: a ausência de uma mácula totalitária como a que sujou a Direita do Estado Novo; a resistência a esse mesmo Estado Novo; a beligerância competente de Oposição e de Trabalho Autárquico, o contraditório de salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e a conotação com uma série de valores mais tolerantes sempre que se esgrimiram as questões mais fraturantes de ética social.

Esta cultura demarcou, faça-se justiça, a esquerda do dito arco centro-direita da governação que por necessidade, oportunidade e simples estupidez genética nos cansou após o 25 de Abril em sucessivas legislaturas com tiques de corrupção, insensibilidade social, clientelismo e preconceito.

Mas eu creio, creio francamente, que esta massa de esquerda feita de todas estas motivações é muito mais vasta que o reduto de convicção comunista. E pergunto-me quantos comunistas haverá realmente nas esquerdas supostamente comunistas? Quantos quererão realmente sair da Europa à papo-seco ou recolocar de novo todas as cartas num gigantesco setor público, ou atacar como gato a bofe a livre iniciativa e a propriedade privada?

A questão é relevante porque em dias como estes, quase a chegar à praia do poder, esta esquerda talvez tenha que concluir que sem se reformar vai sempre morrer na praia. E nem é por marosca da Direita.É por lerem mal o sentido dos votos que tenham.

Diria que para PCP e BE a coerência pode estar na persistência em serem como são e isso é legítimo.

Mas o apoio popular esse está em ocupar o vazio da social democracia.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Uma Curta História da Ciência Política portuguesa em formato Looney Toons

Já posso falar de novo de política. Cavaco Silva  desfez o embróglio e a Direita já não está a konpensans. Está a esquerda. Pouco me importa. Eu cá não dou confianças a maiorias negativas.

Por estes dias a Ciência Política portuguesa ficou marcada. Primeiro pelo facto de que a quase totalidade da tal Direita histérica demonstrou ou não perceber de Ciência política ou pelo menos não lhe estar a dar jeito as regras atuais. E como os portugueses são desenrascados, a Direita portuguesa também é e inventou regras novas. Nada de novo. Eu lembrei-me das aulas de Direito Constitucional do Fernando Seara que nos dizia que isolado como única peça de esquerda nos Orgãos de Soberania, em pleno Cavaquismo, Mário Soares fez oposição feroz como podia e inventou o Veto de Bolso. Desta vez Cavaco Silva meteu a esquerda no bolso. É quase o mesmo.

Por acaso o mesmo Fernando Seara também gostava de achincalhar os alunos nas orais com perguntas maldosas. 

"Então diga-me lá o Senhor, o Primeiro Ministro é eleito ou nomeado?"

O Pedro Tiago, melhor solista de Tuna do que estudante de Direito pisava sempre estas minas. Desconfio que Passos Coelho lhe seguiria o exemplo.

"Tão, é eleito Sodotôr! É, não, foi! Fui! É o que estou farto de lhes dizer! Eu é que ganhei!"

Depois lembrei-me da Teresa Coelho que era a assistente do Seara quando fiz a cadeira. Estava-a a ver ontem no Virgin sem som a debater com a Mortágua. Não sabia o que estavam a dizer mas também pouco importava. Eu estava a pensar que se fosse para posar para a Playboy, antes a Mortágua. A Coelho já então não era grande espingarda. E todavia tinha umas pernas jeitosas! Do que um gajo se lembra! A Coelho também andaria a dizer que o Primeiro Ministro é eleito?

Outro aspeto em que se fez História nos últimos dias foi termos percebido o imenso poder do Presidente da República no momento de nomear o Governo. A verdade é que, desculpe-me a Esquerda, a nomeação de um Governo PAF foi absolutamente legítima, como teria sido legítima a nomeação de António Costa. Como teria sido legítimo dar o Executivo ao PAN. Tenho dúvidas que não houvesse suporte Constitucional para a minha nomeação. Ou a da Cadela Martini. E, sim, estou a falar a sério. A norma é tão aberta como isso.

Discussão diferente é saber-se se Cavaco Silva decidiu bem.

Eu não vou discutir quem é que é melhor para o país, nem quem ofereça maiores garantias de estabilidade governativa. 

A primeira questão é demasiado complexa e subjetiva.

A segunda é demasiado simples. Ninguém oferece realmente grande estabilidade mas o Governo de Esquerda oferece muito mais que o do PAF já que este vai cair a não ser que o Largo do Rato entre em modo "Revolta na Bounty".

Mas há uma questão muito mais interessante que é a famigerada especulação sobre a intenção de voto dos portugueses. E ultrapassada a decisão de Cavaco Silva - ficará na sua consciência se tentou interpretar a vontade dos portugueses ou simplesmente seguiu a sua (vontade) vamos a um novo round de interpretação das vontades dos portugueses que deverá orientar todos os partidos - e que é o sentido de voto nessa agenda breve que fará - ou não - cair o governo.

A verdade é que não será um exercício fácil pelo simples facto de que os portugueses votam em partidos, deputados, caras. Votam a favor, votam contra, votam para concentrar o voto útil e para distribuir ovos por cestos. Votam para ganhar e votam para perder. Votam porque acreditam no programa e votam porque não acreditam.

Sendo assim creio que hoje e no que quer que se passe a seguir se cumprirá em qualquer caso o desígnio expresso pelo voto, pelo menos de alguns, que tenham votado em absolutamente todos os partidos.

E é por isso que subsistindo essa réstia de verdade estamos ainda assim perante sobretudo especulações para boi dormir.

O que recomendo?

Para a próxima que cada um vote no partido que realmente gostasse de ver a governar em vez de votar num exercício de adivinhação do que vá fazer o restante eleitorado.

Poupava-se muita retórica fiada consequente...




domingo, 18 de outubro de 2015

Prova cronometrada de "smart escova de dentes"

Cá em casa aderimos às smart escovas de dentes. Sobretudo porque nos sentíamos inferiorizados nos fins de semana  passados com o Ricardo Azevedo​ e a Ana Soares​ que, geeks da saúde oral, apareciam sempre com verdadeiras I-Escovas, enquanto que eu levava uma escova ramélica das mais baratas já com os fiozinhos todos estraçalhados pela minha cremalheira.

Nos primeiros dias achei aquilo porreirinho.

Até que descobrimos que a escova tinha timer e apitaria quando a limpeza estivesse concluída. Pensei que a minha devia ter o cronómetro estragado porque nunca tinha apitado. Só que depois fui ler as instruções. E lá dizia que apitaria ao fim de 2 minutos, o tempo de escovagem recomendado pela OMS. "Que diabo!" Nunca tinha apitado... Eu nunca demoraria os dois minutos a lavar os dentes? Impossível, é claro que sim embora jamais, claro, tivesse cronometrado.

Preocupado levei o assunto ao meu superior hierárquico, a Eva portanto.

A Eva também nunca tinha ouvido o apito. E como ambos juraríamos que a nossa lavagem de dentes era exímia e dentro dos critérios da OMS as escovas só podiam estar avariadas.

Mas estava na altura de recorrer ao método científico.

Escovas prontas a entrar em ação e cronómetro.

Ready, set, go!


Depois de um arranque fulgurante às tantas começa-se a instalar o cansaço nos atletas. A Eva observa numa dicção confusa de escova na boca que de certeza que já tinham passado dois minutos. Eu dou indicação para a pista que na verdade ainda nem um se tinha passado. 

Mas a partir daqui estava-se tudo a complicar...

Uma Eva enfadada dizia que era melhor vermos uma série para ajudar a passar o tempo. Mas havia  problemas mais graves do que enfado. A centrifugação diabólica daquelas maquinetas do diabo estava a começar a fazer claras em castelo de espuma na boca. A Eva já se estava a babar para o chão, eu a caminho disso. Ainda por cima compenetrado num esforço para não abrir a boca. Cada vez que me distraía o remoínho do inferno projetava-me mil gotículas de espuma na camisa. E aínda só íamos no minuto e meio. Em boa verdade vos digo que os 30 segundos finais foram de grande sacrifício a bem da ciência. Mas valeu a pena. Aquela porra apita mesmo aos dois minutos. Fica por saber como é que os outros dois aguentam os dois minutos.

Cá em casa está decidido, vamos voltar às escovas analógicas e usamos esta geringonça como batedeira.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O fim da não discussão

Decidi parar de discutir política. Pelo menos aqui. Mesmo esta crónica já não é uma crónica sobre política. É uma crónica sobre discussão política, isso é outra coisa...

Há dias alguém me dizia que até no bar lá da empresa os ânimos se estavam a exaltar. O povão anda em ponto de açúcar e vive-se um daqueles momentos raros da cidadania em que a política exalta mais do que o Benfica. Isso por um lado é bom. Mas também é perigoso. O futebol é aquela coisa infinitamente pateta que pega fogo mas é insuscetível de queimar realmente a cidade. A política é um assunto muito sério e encerra em si o demónio de incendiar o país. No debate político chocam as visões sobre a vida real e transparece a famigerada luta de classes e de interesses. Ao contrário do Benfica que só devia bater-se em campo, em política a guerrilha bairro a bairro é a continuação da democracia por outros meios. E percebe-se porquê e por isso é que é perigoso.

Mas não é só porque é perigoso que não vale a pena falar mais de política. É porque não vale realmente a pena. Ninguém discute política para aprender coisa alguma. O Ricardo é que tem razão. É-se do Benfica e pronto! Mas isso lá é dissecável por racionalidade alguma? Mas lá é possível ficarmos com dúvidas de que o Benfica é sempre o maior?! Em política é o mesmo! Ninguém está na luta para levar uma bordoada e vir para casa todo contente "Eh Maria, o Xico Manel deu-me uma coça. Levei quinze a zero! E olha que se não me convenceu pelo menos deixou-me dúvidas! Foi mesmo bom!". Nada disso. A discussão política é guerrilha, é ardil, sofisma, esquiva, contra golpe. De construtivo tem pouco.

Mas a discussão política não é só inútil do ponto de vista de explicar o que quer que seja a quem quer que seja. Também é inútil do ponto de vista de aprender o que quer que seja. A maior parte dos contendores não tem a mínima ciência ou honestidade ou sensatez sobre os assuntos versados. Mas não é só ciência que não têm. O mais curioso é que dúvidas também não! E é assim nas conversas de café e é assim nos artigos de opinião até porque os artigos de opinião são escritos com a mira de doutrinar a malta nos cafés.

As opiniões estão realmente crispadas e cada lado da barricada sugere que o outro significa o caos. Eu acho que ambos os lados têm razão porque a mim de ambos os lados me aflige o maniqueísmo e e a insensatez. E sim, em muitos casos a verdadeira ignorância ou desonestidade ou ambas.

É por isso que não vale a pena gastar latim.

Não falo mais de política. Ou falo. Com o Nuno, por exemplo. Gosto quando ele me provoca com um sorriso. "Então meu caro, vamos lá analisar os últimos eventos?" E sai uma hora de debate. Já sabemos que não será unanimista. Mas terá pontes e a esquizofrenia salutar de ele gostar de malhar à direita e de eu ter o dedo leve a maldizer a esquerda. E de ambos termos algumas convicções e muitas dúvidas. E sim, os nossos facciosismos. Faz parte.

Ser do Benfica desde pequenino não é algo que se ultrapasse num piscar de olhos. 

Mas os homens razoáveis quando tem que ser chegam lá.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Azevedo, o estiloso (not!)

Não sou o gajo com mais estilo lá do Health Club, essa é que é essa. Também não sou o pior, atrás de mim vem uma legião de gordinhos, alguns franzinos e toda a comunidade geriátrica. Ok, metade da comunidade geriátrica, a outra metade está mais malhada do que eu. As mulheres, essas ganham-me todas, velhinhas babadas com o seu PT incluídas.

Mas ainda assim, repito, não sou o gajo com mais estilo do Health Club. Longe disso. 

Tenho uns bons quilos a perder. E mesmo assim, mesmo que os perca, depois creio que nunca terei o espírito guerreiro para malhar e esculpir-me como os animais que por lá param. 

Mas o problema vai muito para além da compleição física...

O cabelo. Não tenho o cabelo certo. O meu cabeleireiro disse-me da última vez que gosto de cortes executivos. Perguntei o que isso era e ele explicou que era assim uma coisa compostinha que não chocasse, equilibrado em cima, de lado, atrás. Um penteado careta, portanto, concluí eu. Não levo hipótese, aquilo está cheio de carecas com barba à taliban, gajos com mohicanos amarelos, tipos com barbas desenhadas dir-se-ia pelo próprio Miguel Ângelo, gajos de bigode enrolado nas pontas em estilo monárquico. Cada qual muito mais afirmativo que eu.

As tatuagens. As tatuagens são uma grande lacuna. Eu não tenho uma só tatuagem. Boa parte dos gajos que lá andam o que não têm é mais corpo para tatuar. O mesmo Miguel Ângelo que desenha bigodes deve desenhar também os tatoos com desconto para sócios da Virgin, só pode! São complexos entrelaçados de tatuagens. Às vezes lá no balneário ponho-me a tentar perceber o todo no corpo de alguns "sócios". Perceber o entrelaçado de números romanos, letras árabes, Jesuses Cristos, imagens de familiares, tribais, tentar antever a big picture daquilo tudo. Se eventualmente esconde o mapa do ginásio, ou assim. Em vão...

Depilação! Outra grande lacuna. Eu depilo-me quando me depilo que é quando vem o Verão e quando a Eva me aborrece. Ali todo o povo de Deus não tem um pelo! Ok, tirando aquele tipo que parece o Pinhal de Leiria e eu que só estou depilado num rectângulo de pele do peito: há dias passei por lá a máquina só para testar se ainda funcionava. Funcionava! E Eu prometi a mim mesmo que um dia destes compunha a obra de arte...         ... mas dizia...


... a verdade é que toda esta combinação de músculo, hairdoos, tatoos e depilação embora me remeta para todo um imaginário porno star, a verdade é que me derrota.

Mas há mais!

O perfume. Eu às vezes não sinto o meu próprio perfume. Mas sinto o destes gajos à distância.

Os trapinhos...           ... este pessoal treina com roupa slim fit desenhada pela NASA. Eu treino com um Polo de algodão manhoso e uma calças que são metade de cada cor porque me esqueci delas na corda.

Mas nada disto é novo. E se falo disto é em guisa de introdução à cereja em cima do bolo da minha falta de estilo que me ocorreu hoje.

Depois de uma série de abdominais fui beber água. Quando voltei reparei na minha própria toalha.

Abre parêntises

Quem teve a dádiva de um enxoval sabe que os enxovais incluem sempre peças muito feias oferecidas por uma tia saloia ou assim. Também sabe que a cavalo dado não se olha o dente e que as peças mais feias também marcham na economia doméstica quando não há visitas, sejam jogos de lençóis, atoalhados ou aquele prato de sopa com a última ceia estampada no fundo.

Posto isto, dizia eu, voltei para o pé da minha toalha e reparei na plenitude da sua nobreza, cuidadosamente estendida sobre a esteira de abdominais. Era uma peça de fino turco e de um rosa suave debruado por uma faixa de cetim que lhe conferia uma certa patine. Bordado no canto oposto tinha uma galinhola gentil que repousava o colo sobre um emaranhado de rosas parecido com alguns que tenho visto em tatoos nas costas hercúleas dos "sócios"

Se naquele momento alguém me perguntasse com naturalidade se a toalha era minha juro que teria dito que não.

Bati no fundo...

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A minha tentação de direita, servil

Os comentadores de direita, oficiais engajés e de vão de escada- tipo eu, de vão de escada, entenda-se, não de direita - andam numa campanha acirrada, assombrados pela hipótese da frente de esquerda do Tó Costa. Esgrimem-se uma série de argumentos. Alguns são facciosos, até ignorantes. Outros têm a legitimidade das coisas discutíveis desta vida e outros ainda poderão mesmo ser muito assertivos.

Há um que infelizmente muito me impressiona e é evidente e lamentavelmente na mouche: a simples possibilidade de um governo dessa potencial frente de esquerda já prejudicou os juros da dívida portuguesa nos mercados.

O facto é esse. Podemos depois discutir se a dívida é pagável. Podemos discutir se o mercado é ético. E podemos discutir se o caminho do governo de Centro Direita não é o caminho de cortar todas as árvores para comprarmos balões de oxigénio e no fim morrermos na mesma sufocados pela dívida, sem ar e sem nada com que comprar mais adiamentos a que nos afundemos de vez. Repito, tudo isto é discutível e admito opiniões em ambos os sentidos.

Mas se tudo isto é discutível creio que não o seja que dependemos absolutamente dos nossos credores, pelo menos no curto prazo e pelo menos a não ser que queiramos encetar processos de revolução social de consequências imprevisíveis e perigosas. Igualmente não é discutível que esse tal score dos mercados traduzido em juros e ratings - perversos que sejam - tem sobre nós o jugo de nos afundar ainda mais do que já estamos. E também não é discutível de que um governo de direita neoliberal tem à partida muito melhores condições de, só pelo cheiro, inspirar melhores indicativos para Portugal nos mercados.

E é por aqui que eu singro a minha tentação de direita, pelo menos desta direita. É uma tentação servil, note-se. É uma tentação que cheira ao medo da revolta do murro em ponta de faca. É a tentação de aceitar que as coisas são como são e não remar contra o curso da corrente que os nossos financiadores impõem. As coisas são como são.

E eu dou por mim a sentir estas coisas e a identificar-me com uma série de receios de pessoas de bem e de direita. E estou certo de que de algumas pessoas de esquerda e de centro que se identifiquem com estes mesmos receios. De que mais do que percentagens sobre pensões e ordenados levem o emprego e o pão da mesa. 

Eu percebo.

Mas há coisas de que eu não gosto. Não gosto que a figura amorfa e imprecetível do "mercado" tenha o poder de ditar. Aceite esse poder hoje estão-nos a limitar os excessos de quem gasta o que não tem, amanhã estão-nos a escravizar. Só porque sim, só porque perceberam que podem. Que podem de novo como já puderam. Não gosto de que seja sim só por medo. Não gosto de não perceber os limites desse medo. E não gosto de euforias bacocas. Palminhas sempre que o mercado nos afague a cabeça, paternal, só porque demos mais uma volta atrás do próprio rabo e despimos mais uma peça de roupa. Percebo que tenha que ser feito. Percebo que tenha que ser assim. Na volta tem mesmo. Não percebo é que nos orgulhemos dessa capitulação.

Numa visão alucinada vejo o mercado a pedir que sacrifiquemos um em cada dez para fazer as vezes do Cabrito na mesa de Páscoa do mercado. E vejo o repto de que é patriótico que assim seja, desde que não nos calhe a nós.

E percebo, até percebo. Só não percebo que haja orgulho nisso. E não gosto. Mesmo nada...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Gone, peúgo, gone - Azevedo, o Caçador de Mitos volta a atacar

O amor ideal e a alma gémea são mitos, ou pelo menos assim passou a ser nas minhas meias. Há limites de decoro, claro. Nunca vou trabalhar com uma meia de futebol azulão até ao joelho e outra sedosa verde em padrão inglês de meia canela. No tudo mais que não seja tão radical há muita mestiçagem entre os meus peúgos. E portanto deixámos de fazer luto pelas perdas. Who cares?!!! A vida continua e no dia seguinte a viúva chorosa vai logo para a gaveta com um peúgo que também esteja solitário. Não há luto porque raramente há sequer noção de perda!


Logo a seguir à cena da Maddie - o mistério não é o que sucedeu à pobre criança mas onde é que os pais a refundiram - e ao triângulo das Bermudas, o mistério das meias que dizem ao par que vão comprar tabaco e desaparecem é uma das cenas mais intrigantes da urbe.

Eu por acaso e pessoalmente resolvi o enigma primeiro não o resolvendo realmente mas parando de pensar nele. Sucedeu um dia que estava ainda nos Sinistros e uma colega diz muito despachada "Ai mas vocês perdem tempo a ver os jogos de meias?!! Ai eu tudo o que seja parecido vai a eito!" - Senti-me envergonhado e ao mesmo tempo iluminado e mudei de vida.

O amor ideal e a alma gémea são mitos, ou pelo menos assim passou a ser nas minhas meias. Há limites de decoro, claro. Nunca vou trabalhar com uma meia de futebol azulão até ao joelho e outra sedosa verde em padrão inglês de meia canela. No tudo mais que não seja tão radical há muita mestiçagem entre os meus peúgos. E portanto deixámos de fazer luto pelas perdas. Who cares?!!! A vida continua e no dia seguinte a viúva chorosa vai logo para a gaveta com um peúgo que também esteja solitário. Não há luto porque raramente há sequer noção de perda!

Mas como este blog é serviço público e antevejo muita gente ralada com o que é que sucede às meias perdidas decidi apresentar a explicação final e dogmática do que sucede no mundo maravilhoso dos peúgos e do que é simples e abjeto mito.

A saber:

1 - As meias são muitas vezes sugadas pela máquina de lavar. Mito! Estupidez! É completamente falso!

2 - As meias são levadas por fadas para o país das meias. Teoria que permanece por demonstrar mas que não quero recusar liminarmente.


Eis o que realmente sucede às peúgas:

1 - Teoria do geocaching

As 27 meias que nos faltam estão espalhadas por aí. Há uma debaixo do toucador, outra está caída no porta bagagens, há três em casa da ex-namorada. Uma o negão que costuma equipar ao nosso lado no health club meteu no saco sem querer e agora anda ele próprio intrigado sobre onde para a outra meia. Um dia todas as meias terão GPS e passaremos tardes de Domingo hiper divertidas à procura das mesmas pela cidade.


2 - Teoria Memento

A minha unhaca do dedão cresce afiada e esfaqueia-me as meias todas. Quando o buraco é tão grande que o dedão já lá cabe todo ou quando sei que vou comprar sapatos e ter que me descalçar ou assim, deito a meia fora para não passar vergonha. Mas mando sempre e só a meia assassinada e depois esqueço-me disso e dias mais tarde indago-me onde é que ela andará. Tatuar reminders no corpo pode portanto ser uma solução.

3 - Teoria do Peúgo Cornudo

É aquela meia que nunca casa porque o par está no fundo da gaveta engalfunhado com uma meia turca tesuda, daquelas das raquetes

4- Teoria dos universos paralelos

Duas meias gémeas separadas tragicamente por ciclos de lavagem diferentes. Nunca estão ao mesmo tempo lavadas. Se pensarem bem nisso faz todo o sentido!

5 - Teoria da Eva (formulada há pouco e que deu mote a esta crónica e que também faz todo o sentido)

Grita-me a Eva há pouco do quarto no ardor da sua epopeia de casar meias...


"Já sei porque é que me faltam meias, sacana! Tu misturas com as tuas!"

Bingo!

:o)

domingo, 11 de outubro de 2015

A Fábula do Copo Menstrual e da Raposa

No fundo o que eu quero dizer é que infelizmente o copo menstrual não é o nosso problema mais premente. Poucos de nós estamos prontos para abdicar dos nossos pensos higiénicos, só os muito sensatos. Nenhum de nós tem infelizmente condições para abdicar do emprego na fábrica dos pensos higiénicos, nem os mais sensatos.
Mas o problema está lá e, lentamente, os pensos higiénicos crescem do outro lado do muro.


As reações ao programa eleitoral do PAN e a esta cereja no topo do bolo do copo mentrual variarão entre o sorriso irónico e a ira que eu já vi plasmada do "Copos menstruais?!!! Os meus impostos pagam isto??!!!  Vão todos levar no cu, os gajos do PAN e os que os elegeram!"

A verdade é que temos todos problemas mais complicados que o copo menstrual.

Ou não?

Era uma vez uma aldeia global cuja bandeira era um Penso Higiénico. Os aldeões e as aldeãs eram todos felizes. Todos usavam pensos higiénicos. Na verdade todos trabalhavam na fábrica dos pensos higiénicos. Todos os dias se produziam e consumiam milhões de pensos higiénicos. Todos os dias saíam novos modelos mais sofisticados de penso higiénico e todos os dias os aldeões rejubilavam a deitavam fora o penso higiénico do dia anterior para experimentar a nova maravilha da Corporação do Penso Higiénico para que todos trabalhavam. Não que precisassem de mudar de penso higiénico. Nesta aldeia maravilhosa há muito que se inventara o penso higiénico muitas e muitas vezes reutilizável. E no entanto ninguém usava o mesmo penso higiénico duas vezes. Compravam o modelo de penso higiénico seguinte e iam atirar o penso higiénico antigo por cima do muro que separava a aldeia feliz do resto-do-mundo-desconhecido.

Um dia bateram-lhes à porta. Era uma raposa que trazia um penso higiénico na cabeça. A aldeia veio ver em peso ver o que estaria o logo do Mozilla a fazer ali com um penso higiénico na cabeça, ainda por cima um modelo tão demodé. Ora a raposinha vinha reclamar que o resto-do-mundo-desconhecido estava atulhado numa lixeira de pensos higiénicos dos aldeões felizes e queria saber para que eles tinham necessidade de trocar de penso higiénico todos os dias. Afinal a raposinha e o resto dos animais e das pessoas que viviam como animais no resto-do-mundo-desconhecido rapidamente tinham percebido que cada penso higiénico durava bué. E, então, porquê?

Os aldeões felizes entreolharam-se e poucos sabiam realmente porquê. Olha, porque sim. Porque os pensos higiénicos davam sentido à vida, alegria, frescura! Nos seus modelos sempre renovados com novas designs, cores e aplicações! Porque é que usavam todos os dias um pensinho novo, em vez de estimar e fazer render? Ou, olhem, porque é que não usavam um copo menstrual? Os aldeões felizes não sabiam ao certo porquê...

No entanto o CEO da Corporação do Penso Higiénico e o Rei da Aldeia sabiam porquê...

Era absolutamente necessário que houvesse pensos higiénicos. Muitos, renovados, reinventados, todos os dias!

Primeiro porque aqueles eram os aldeões felizes. E a sua ilusão de felicidade - poucas felicidades são realmente mais que ilusão - eram um artifício baseado em duas coisas: fabulosos pensos higiénicos e não saber de nada que se passasse para lá do muro.

Mas havia mais problemas. Se não se fabricassem mais pensos higiénicos a Corporação dos Pensos Higiénicos faliria. O CEO do Penso Higiénico ficaria pobre e todos os aldeões sem emprego e sem dinheiro. Não só para comprar pensos higiénicos mas também para comprar batatas e coisas assim. A aldeia feliz seria em meses a aldeia do caos.

Sabiam disso. Sabiam da pescadinha de rabo na boca que sustentava o eco-sistema da aldeia. E infelizmente não faziam ideia de como resolver o problema.

Não, não se podia parar de fabricar pensos higiénicos. E não, havia definitivamente que evitar que se espreitasse por cima do muro. Quando a altura de pensos higiénicos acumulados transbordasse para o lado de cá logo se pensaria nisso. Talvez um muro mais alto!

No fundo o que eu quero dizer é que infelizmente o copo menstrual não é o nosso problema mais premente. Poucos de nós estamos prontos para abdicar dos nossos pensos higiénicos, só os muito sensatos. Nenhum de nós tem infelizmente condições para abdicar do emprego na fábrica dos pensos higiénicos, nem os mais sensatos.

Mas o problema está lá e, lentamente, os pensos higiénicos crescem do outro lado do muro.

No mínimo dos mínimos é pertinente que alguns "loucos" comecem a recordar-nos do assunto mesmo se o tema essencial da conversa ainda não é esse...

... mas um dia, mais cedo ou mais tarde, vamos ter que repensar os modelos atuais ou desaparecer com eles.

E por isso, não, não é estúpido falar-se de copos mentruais no Parlamento.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O Cavalo de Tróia da análise política

A arma mais insidiosa da publicidade é provavelmente a notícia jornalística por encomenda. E a arma mais insidiosa do marketing político é a análise política engajada. Assim se resolve o problema do descrédito das litigâncias em causa própria vendendo-se como análise isenta mera propaganda. Pensei nisto ao ler uma série de opiniões sobre a salganhada pós eleitoral e quem deva o PR nomear. A questão não é quem tem razão. A questão é que tentemos partir da conclusão para a fundamentação e não no sentido inverso.


Gosto de ler opinião política. Ajuda-me a formar os meus próprios pontos de vista.

O problema é que tenho cada vez mais a convicção de embuste.

Eu não me importo com as clivagens subjetivas ou ideológicas. E sobretudo não me importo com estas quando são honestas e evidentes. É bom ouvir vários pontos de vista que nos permitam situarmos-nos na constelação das possibilidades.

Tenho muito mais azedume quando ocorre que me estejam a vender banha da cobra sob o engodo de análise objetiva "quase científica". Porque podem suceder duas coisas. Ou eu tomo consciência disso e oscilo entre a irritação e o sorriso cínico, ou não tomo e às tantas dou por mim a ser levado no conto do vigário e a formar opiniões mal estruturadas. Não estou zangado porque sou agora uma besta contentinha a pensar que aprendeu algo. Mas devia estar zangado. E muito.

A arma mais insidiosa da publicidade é provavelmente notícia jornalística por encomenda. E a arma mais insidiosa do marketing político é a análise política engajada. Assim se resolve o problema do descrédito vendendo-se como análise isenta mera propaganda. Pensei nisto ao ler uma série de opiniões sobre a salganhada pós eleitoral e quem deva o PR nomear. A questão não é quem tem razão. A questão é que tentemos partir da conclusão para a fundamentação e não no sentido inverso.

Às tantas diz um cronista do DN

"Diz a Constituição que o Presidente da República convida o líder do partido mais votado a formar governo e é isso que deve acontecer."

Só que a Constituição o que diz é

CAPÍTULO II 
Formação e responsabilidade 
Artigo 187.º (Formação) 1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais. 



O que não é a mesma coisa.

O que eu quero dizer com isto é que há espaço interpretativo para o cenário parlamentar à luz da Constituição e qualquer hipótese de Governo que se concretize não será desprovida nem de legitimidade técnica nem política.

E eu não me importo que num plano meramente subjetivo todos palrem que "Ou nós ou o caos."

Mas era importante que nos conformássemos de que são apenas opiniões e não dogmas que devamos impor com artifícios de temor reverencial a pretensos "factos".


A Preta do Extintor e o Quintanilha

Os preconceitos, o racismo, a homofobia, etc, etc, etc, são realidades lamentáveis. Mas as expressões histéricas de susceptibilidades desproporcionadas ou de todo injustificadas são um mau serviço às causas das minorias. Até porque as pessoas decentes suportam os direitos da Comunidade Gay mas ninguém tem pachôrra para bichas histéricas.


Estávamos em 1995. Eu era caloiro de Direito na Lusíada. Deixem-me que vos diga duas coisas acerca do ensino privado, pelo menos na Lusíada, pelo menos em Direito, pelo menos naquele tempo - e estou a semi-divagar em relação ao tema principal ou a pintar um contexto, não sei bem: aquela Universidade tinha uma proposta de ensino séria e exigente. A coisa dava-se em funil, em triagem de muitos chumbos e processos de amadurecimento. Quando eu cheguei ao terceiro ano estava numa turma de tipos razoavelmente competentes. Quando terminei o curso a safra era de média para cima. Mas isso pouca importa. Porque interessa é que estávamos no primeiro ano e houvesse dinheiro para pagar a propina e se se conseguisse falsificar um certificado de habilitações de décimo segundo ano para um porco...             ... ele era aceite na Lusíada. A triagem começaria rapidamente nas frequências de primeiro semestre e nas primeiras negativas arrasadoras a convidar à fuga para uma Instituição "à Relvas". Mas até lá, valia tudo e os caloiros de Direito eram um enorme de bando a incluir muito do mais calão, néscio, ignorante ou simplesmente burro que o ensino secundário em Portugal na área de Humanísticas tivesse regorgitado.

Entre estes militava a Preta que ainda não tinha um extintor.

A Preta para começar nem era Preta. Pelo menos não me parecia, eu achava-lhe ar de Timorense. Mas na volta era mesmo preta porque o mito urbano a dava como uma dessas filhas burras das elites angolanas emergentes que andavam a passear livros em Portugal. A Preta, de idade indefinida mas por certo mais velha que o resto da caloirada era da minha turma. E apesar de militar numa turma de quase duzentas almas em que eu adivinhava dezenas de burros a competir pela coroa aquela era provavelmente a mais burra de todas. Era um autêntico calhau que só dizia disparates, somava fracassos atrás de fracassos em exame mas clamava a cada reprovação que a prejudicavam porque era preta.

A situação atingiu o apogeu, pelo menos do que eu sei da história, quando em Frequências de segundo semestre a Preta foi a oral com um Assistente de que não retenho o nome. Era um daqueles jovens professores meio pedantes que gostavam de triturar alunos na oral. Só que naquele dia a oral era a da Preta e vir-se-ia a demonstrar um erro crasso humilhá-la. A Preta tinha calo de ser chumbada. Que remédio...          ... mas humilhar é uma coisa diferente e estava por testar se era seguro. Provou-se nesse dia que não era. Quando o Assistente Pedante começou a troçar da evidente ignorância da examinanda saíu-lhe o tiro pela culatra. A Preta gritou-lhe na cara:

"Só fazes isso porque eu sou preta!"

Vai daí vai buscar um extintor e corre atrás dele para lhe ensinar a sua versão pessoal do direito à indignação numa versão "pelos cornos abaixo"

E foi um regalo ver o Assistente aflito a correr porta fora com a Preta que agora já era a Preta do extintor no seu encalço.

Mas o que é importante para a moral desta história é que a Preta era de facto muito burra e mesmo se essa burrice e a troça do Assistente eram lamentáveis a coisa nada teve a ver com racismo.

Os preconceitos, o racismo, a homofobia, etc, etc, etc, são realidades lamentáveis. Mas as expressões histéricas de susceptibilidades desproporcionadas ou de todo injustificadas são um mau serviço às causas das minorias. Até porque as pessoas decentes suportam os direitos da Comunidade Gay mas ninguém tem pachôrra para bichas histéricas.

Que é como quem diz, como dizia a Marisa, "Deslarguem lá o José Rodrigues dos Santos"

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Musas e lápis azul

Um amigo publicou um livro há dias. Uma dessas publicações de Vanity Writing Publishing. E cá veio parar um exemplar do romance a casa e a Eva começou a ler. E às tantas comenta-me que a mulher do meu amigo devia ter ficado furiosa ao ler sobre tantas mulheres. E eu respondi que podia ser tudo ficção. E a Eva respondeu que "ah o tanas". E eu perguntei se portanto isso significava que ai de mim que desatasse a ficcionar romances de amor com personagens femininos que não ela. E ela confirmou que era isso mesmo...



Encontro a minha maior inspiração para escrever nos outros. Não sou dado aos extremos nem da fantasia nem da filosofia que não tenham âncora suficiente na realidade dos outros. Sem os outros aborreço-me eu e mingua-me textura à prosa. É por isso que escrevo sobretudo sobre momentos e pessoas, a pretexto de conversas que tive ou roubei. Se ando demasiado só dou por mim calado. Ao ponto de associar alguns dos meus picos criativos a coisas tão aparentemente irrelevantes como que naquele mês encostei o carro e andei de transportes públicos. Ao ponto de por estes dias dar por mim a pensar que devia apanhar um autocarro para lado nenhum só para ouvir e inspirar-me. Sim, a sério. Não tenho imaginação suficiente para partir do nada, essa é que é essa. Há dias uma colega perguntava-me se era tudo verdade o que escrevia. Parecia-lhe fruta a mais para não ser mentira. Mas até é tudo verdade. Mentira haja nas minhas crónicas a única mentira é o rebuscado adornado do meu ponto de vista. A única mentira sou eu.

Mas as minhas musas são um problema crescente que dá com uma mão e tira com a outra. 

Conforme fui amadurecendo fui inventando este meu estilo de janela indiscreta sobre os outros. E durante muito tempo foi fácil e impune. Fui-me viciando a escrever crónicas sempre sobre pessoas para o pequeno público de meia dúzia de amigos. E a impunidade era a de que me podia esticar à vontade que os objetos da minha crítica a mais das vezes não o saberiam. E se de quando em vez escrevia sobre esses amigos fazia-o a risco moderado perante essa tropa fandanga que me perdoava a indiscrição solta aos sete ventos em terra de quase ninguém de um blog intimista. 

Era o crime perfeito.

Só que depois sucederam setecentos e setenta e seis peripécias notáveis que embora à partida possam parecer coisa leve em muito vieram condicionar as minhas crónicas, a minha inspiração e a minha liberdade.

Primeiro apareceu o Facebook.

Depois adicionei setecentos e setenta e quatro amigos no Facebook.

Por fim casei.

Comecemos pela relevância dos setecentos e setenta e quatro amigos e o Facebook.

Se por um lado potenciaram a possibilidade grata ao ego de que nos leiam e elogiem. Há sempre alguém que o faz e comenta e bota o gosto e nós rejubilamos...

... por outro lado potenciaram a possibilidade de levar um carolo de alguém de cada vez que dou largas ao estilo sarcástico. Porque, lá está, eu falo sempre de pessoas e nem sempre bem.

Não tive logo a consciência mas acabei por perceber depois de uma série de momentos bons e maus que tinha o meu amado público a respirar-me junto à orelha para o bem e para o mal. E de repente era possível que recebesse uma mensagem ou me cruzasse com alguém no elevador da empresa ou a passear a cadela em Arroios. E que os meus devaneios viessem à baila. Para me dizer que escrevo coisas giríssimas...              ... ou para sugerir que metesse a viola no saco antes que tivessem que me afinar as cordas...              ... felizmente que no cara a cara os momentos foram gratos e tudo de azedo veio sempre sobre a forma de mensagem. Mas uma coisa era certa, era o início do fim da Impunidade Criativa. 

O Mundo estava a mudar!

Depois casei. E para perceberem como casar é relevante contar-vos-ei uma história.

Um amigo publicou um livro há dias. Uma dessas publicações dos Vanity Writing Publishers. E cá veio parar um exemplar do romance a casa e a Eva começou a ler. E às tantas comenta-me que a mulher do meu amigo devia ter ficado furiosa ao ler sobre tantas mulheres. E eu respondi que podia ser tudo ficção. E a Eva respondeu que "ah o tanas". E eu perguntei se portanto isso significava que ai de mim que desatasse a ficcionar romances de amor com personagens femininos que não ela. E ela confirmou que era isso mesmo...

...

E portanto o casamento é o fim absoluto da liberdade de expressão cronística.

Um tipo já estava condicionado de malhar ou ser simplesmente indiscreto sobre a vida dos setecentos e setenta e quatro amigos do Facebook. Com a mulher fia ainda mais fino. Não podemos falar da nossa mulher, muito menos para dizer mal dela. Mas ai de nós se a ignoramos porque num sentido que só aparentemente é contraditório com o primeiro devíamos falar apenas e exclusivamente dela. Bem, claro! Odes de amor por amor à pele!

E eu estava a imaginar a vida sofrida que um Saramago deve ter tido na vida doméstica com a sua Pilar.

"Blimunda? Blimunda?!!! Eu dou-te a Blimunda! Quem é essa porca? Sobre mim não escreves tu!"




quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Estrangeirismos

Os estrangeirismos para serem aceites deviam sobreviver todos à Triagem da Navalha de Occam. Caíriam os desnecessários que só compliquem.

Se eu posso dizer à Eva? "Môr, vou correr!" para que hei-de dizer que vou fazer jogging ou que vou para o running?!!!  Lá está, parvo!


"Assim é bom porque sei que tenho um deadline"

Foi só o que retive da conversa que se cruzou comigo. Chegava.

Enfeitamos-nos com estrangeirismos pedantes. Creio que o fazemos em guisa de falsos egos. Achamos que isso nos dê um ar cool, high tech. Por exemplo esta moça era claramente uma alma no caminho da auto disciplina, disposta a acabar com hábitos antigos de não cumprir as suas metas auto-propostas, ultrapassando prazos, quiçá estourando com orçamentos. Agora é outra pessoa, vai deixar passar o deadline e vai estourar com o budget na mesma. Mas é outra loiça!

Claro que há casos e casos, claro. Há estrangeirismos que são aceitáveis, até necessários ou pelo menos obviamente mais simples que a tentativa de uma tradução. Há outros que são, eu diria, desnecessários. Outros são simplesmente imbecis.

Vejamos vários exemplos:

Comecemos pela Martini. A Martini é uma Yorkshire terrier que agora - a minha mulher proibiu de dizer mas que se lixe - me apareceu com pulgas. Vejamos a seguinte frase:

Yorkshire Terrier com pulgas parece-me bem. Se dissesse "O meu cão rasteirinho da Região Administrativa de York tem pulgas" era um pouco parvo.

Mas já dizer o meu Yorkie está com flees só seria aceitável se eu fosse emigrante no Canadá.


Vamos agora a um estrangeirismo desnecessário mas que ainda, vá...

Look, no sentido de visual. Está bem, podia-se dizer simplesmente "visual" mas a palavra look, pelo menos em determinado sentido enquadra-se bem no universo que é o do Mundo da Moda onde tudo seja como for é profundamente parvo. Faz sentido, portanto. A Moda sem uma data de bengalas de estrangeirismos pedantes faria tanto sentido como as modelos passarem a Coleção "Lavadeira 1890" todas com buços e depilação em avó style. Nenhuma, portanto.

Secção de estrangeirismos muito parvos: jogging e mais recentemente running.

A cena do fitness (viram? Também tenho a mania!) está cheia de estrangeirismos. Fitness podia bem ser boa forma, Crossfit podia bem ser "Mixórida de exercícios para manter a forma". Mas uma boa parte destes estrangeirismos eu compro.

Jogging e Running é que não!

Os estrangeirismos para serem aceites deviam sobreviver todos à Triagem da Navalha de Occam. Caíriam os desnecessários que só compliquem.

Se eu posso dizer à Eva? "Môr, vou correr!" para que hei-de dizer que vou fazer jogging ou que vou para o running?!!!  Lá está, parvo!

Se bem que eu acho que corrida, jogging e running são coisas diferentes.

Eu acho que faço jogging. Para mim Jogging é aquele gajo que vai dar uma corridinha para ver se perde um quilo e para se sentir vagamente cool. Leva uma sweat velha com o emblema da Universidade e corre pelo bairro a ouvir o Ipod. Este gajo não corre o suficiente para dizer que corre nem tem swag suficiente para dizer que é do Running.

Um Runner é uma cena muito à frente! Tem um fato de fibra inteligente que larga o cheiro a catinga e segura as vitaminas e os sais minerais, um smartwatch ligado ao satélite que lhe dá batidas cardíacas comparadas com os amigos e a maior parte das vezes não está só a correr. Está a correr num evento qualquer. Daqueles em que pode conhecer babes lá do ginásio, lhe deitam tinta e nutella e o caneco para cima.

Corrida é outra coisa e é muuuuuito mais deprimente. Como o meu amigo David que corre desde que andámos juntos na Secundária mas aposto que nunca fez nem jogging nem running na vida. O David está metido numa coisa muito geek, desprovida de estilo. Já na secundária eram os do Surf que sacavam as miúdas e o David sacava nicles de batatóides porque era do atletismo. Isso mesmo, da corrida. Os gajos da corrida até podem papar os do Jogging e do Running logo nos primeiros 500 metros mas não têm style. Treinam afincadamente, competem. Não é com os amigos do MapmyRun, é em provas federadas, mesmo. Mas é tudo pobre. Provavelmente treinam com T Shirts velhas das Seixalíadas (referência Margem Sul Power) e nunca têm direito nem a tinta nem a nuttella pela cabeça abaixo.

E era isto. Quem quiser acrescentar mais estrangeirismos parvos ao index, faça favor...

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A oportunidade de ouro ao Centro (esquerda)

Arranjem um líder edgy com a fralda para fora à Tsipras, barba por fazer como o Judas tinha, tacha na orelha como o Galamba. Que saiba erguer o punho à esquerda, malhar na direita e governar ao centro. 


Ser-se de esquerda - pelo menos em determinado bom sentido - evidencia coisas que me me agradam. Como solidariedade social. No entanto, a exultação dos chavões de esquerda sem um plano que lhes confira uma espinha dorsal económica sustentável é ou ingénuo ou hipócrita. A esquerda portuguesa tem pecado algures por aqui. Em determinado sentido. Num outro sentido apresentam-nos soluções de ruptura radical com o modelo vigente: nacionalizações, saída da UE, etc. E sem antever juízos críticos sobre probabilidade de exito da solução direi apenas que, mal ou bem, a massa crítica essencial do eleitorado não está disposto a esse risco. Não, nem uma boa parte dos que votam nos programas eleitorais que a preconizam.

É por isto tudo que, mesmo que possamos achar que isso é lamentável, o país não é governável à esquerda, realmente à esquerda. O entrosamento em determinadas lógicas político-económico-financeiras nacionais e internacionais não o permitem sem enormes riscos. Que quase ninguém quer correr.

Mas há uma oportunidade de ouro ao Centro. Prefiro nem falar de Centro Esquerda. Não tem que ser um monopólio da esquerda. Prefiro falar de um centro que assuma o que não é possível mesmo que muito se quisesse e que assuma o que é preciso fazer sem rodeios de populismo ou vã esperança. Mas que depois seja um centro brutalmente atento à medida do possível da solidariedade, do Estado Social, brutalmente atento à possibilidade de ser, sempre que possível, de esquerda, chamem-lhe assim se preferirem.

E essa é uma oportunidade porque esse centro pragmático com vocação social está algo deserto.

Chegar a ele nem me parece um monopólio da esquerda. Não o é em abstrato mas é-o neste cenário concreto em que este PSD e este CDS em concreto não têm ponta de vontade ou sensibilidade para essa vocação social.

Por outro lado a todas as esquerdas que se perfilam falta alguma coisa. À CDU e ao BE falta aceitarem que não é possível governar realmente à esquerda. Vêm de uma cultura de oposição competente à esquerda para mitigar o desvio demasiado à direita. Mas isso não chega nem serve no desafio de governar. Ao PS falta resolver a crise de entidade interna. A oscilação entre ser de centro e só isso e a medo de não ter uma proposta valor que o distinga do PSD e clivar-se demasiado à esquerda sabendo que, justamente, não é possível governar à esquerda.

Mas ao PS falta outra coisa. Falta uma renovação da marca. Em política isso é muito. O BE tem uma boa marca. O seu âmago pode ser o da UDP e da ortodoxia bem clivada à tal esquerda que quase ninguém que vote neles quer realmente. Mas tiveram sempre e conseguiram ter de novo agora lideranças carismáticas que fazem esquecer esse âmago e arrancam discursos de genica em que o centrão se reveja. Em determinado sentido o BE finge, e bem, que está ao centro. Só se percebe que assim não é quando se colide na evidência que não transije ao centro sequer para poder governar. O PS esse tem a vocação de governar ao centro. Mas precisa de uma marca que lhe atraia os votos que lhe fogem à esquerda. Precisa de despachar os senadores barrigudos ultrapassados e chamuscados. Mas o que é que já interessa a esclerose vaidosa de Soares, a galhardia inconsequente do Alegre, a pinta de boneca de porcelana demodé de Maria de Belém? Reformem-nos e tragam uma geração edgy que saiba governar a esse centro atento à esquerda. A coisa nem passa por gajos como o Perestrelo com ar aburguesado que prometem transformar-se em tempo recorde em caricaturas novas de um PS velho. Isso não distinguiria o visual PS dos visuais betinhos dos novos valores à direita. Perestrelo é demasiado igual a Nuno Melo. Arranjem um líder edgy com a fralda para fora à Tsipras, barba por fazer como o Judas tinha, tacha na orelha como o Galamba. Que saiba erguer o punho à esquerda, malhar na direita e governar ao centro. 

É que é isso ou rezar que a esquerda ganhe juízo e zarpe a esse centro à mão de semear, metendo lá a bandeira antes dos socialistas.

Enquanto nada disso suceder vou continuar a votar no PAN.