Não sou o gajo com mais estilo lá do Health Club, essa é que é essa. Também não sou o pior, atrás de mim vem uma legião de gordinhos, alguns franzinos e toda a comunidade geriátrica. Ok, metade da comunidade geriátrica, a outra metade está mais malhada do que eu. As mulheres, essas ganham-me todas, velhinhas babadas com o seu PT incluídas.
Mas ainda assim, repito, não sou o gajo com mais estilo do Health Club. Longe disso.
Tenho uns bons quilos a perder. E mesmo assim, mesmo que os perca, depois creio que nunca terei o espírito guerreiro para malhar e esculpir-me como os animais que por lá param.
Mas o problema vai muito para além da compleição física...
O cabelo. Não tenho o cabelo certo. O meu cabeleireiro disse-me da última vez que gosto de cortes executivos. Perguntei o que isso era e ele explicou que era assim uma coisa compostinha que não chocasse, equilibrado em cima, de lado, atrás. Um penteado careta, portanto, concluí eu. Não levo hipótese, aquilo está cheio de carecas com barba à taliban, gajos com mohicanos amarelos, tipos com barbas desenhadas dir-se-ia pelo próprio Miguel Ângelo, gajos de bigode enrolado nas pontas em estilo monárquico. Cada qual muito mais afirmativo que eu.
As tatuagens. As tatuagens são uma grande lacuna. Eu não tenho uma só tatuagem. Boa parte dos gajos que lá andam o que não têm é mais corpo para tatuar. O mesmo Miguel Ângelo que desenha bigodes deve desenhar também os tatoos com desconto para sócios da Virgin, só pode! São complexos entrelaçados de tatuagens. Às vezes lá no balneário ponho-me a tentar perceber o todo no corpo de alguns "sócios". Perceber o entrelaçado de números romanos, letras árabes, Jesuses Cristos, imagens de familiares, tribais, tentar antever a big picture daquilo tudo. Se eventualmente esconde o mapa do ginásio, ou assim. Em vão...
Depilação! Outra grande lacuna. Eu depilo-me quando me depilo que é quando vem o Verão e quando a Eva me aborrece. Ali todo o povo de Deus não tem um pelo! Ok, tirando aquele tipo que parece o Pinhal de Leiria e eu que só estou depilado num rectângulo de pele do peito: há dias passei por lá a máquina só para testar se ainda funcionava. Funcionava! E Eu prometi a mim mesmo que um dia destes compunha a obra de arte... ... mas dizia...
... a verdade é que toda esta combinação de músculo, hairdoos, tatoos e depilação embora me remeta para todo um imaginário porno star, a verdade é que me derrota.
Mas há mais!
O perfume. Eu às vezes não sinto o meu próprio perfume. Mas sinto o destes gajos à distância.
Os trapinhos... ... este pessoal treina com roupa slim fit desenhada pela NASA. Eu treino com um Polo de algodão manhoso e uma calças que são metade de cada cor porque me esqueci delas na corda.
Mas nada disto é novo. E se falo disto é em guisa de introdução à cereja em cima do bolo da minha falta de estilo que me ocorreu hoje.
Depois de uma série de abdominais fui beber água. Quando voltei reparei na minha própria toalha.
Abre parêntises
Quem teve a dádiva de um enxoval sabe que os enxovais incluem sempre peças muito feias oferecidas por uma tia saloia ou assim. Também sabe que a cavalo dado não se olha o dente e que as peças mais feias também marcham na economia doméstica quando não há visitas, sejam jogos de lençóis, atoalhados ou aquele prato de sopa com a última ceia estampada no fundo.
Posto isto, dizia eu, voltei para o pé da minha toalha e reparei na plenitude da sua nobreza, cuidadosamente estendida sobre a esteira de abdominais. Era uma peça de fino turco e de um rosa suave debruado por uma faixa de cetim que lhe conferia uma certa patine. Bordado no canto oposto tinha uma galinhola gentil que repousava o colo sobre um emaranhado de rosas parecido com alguns que tenho visto em tatoos nas costas hercúleas dos "sócios"
Se naquele momento alguém me perguntasse com naturalidade se a toalha era minha juro que teria dito que não.
Bati no fundo...
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