quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Uma Curta História da Ciência Política portuguesa em formato Looney Toons

Já posso falar de novo de política. Cavaco Silva  desfez o embróglio e a Direita já não está a konpensans. Está a esquerda. Pouco me importa. Eu cá não dou confianças a maiorias negativas.

Por estes dias a Ciência Política portuguesa ficou marcada. Primeiro pelo facto de que a quase totalidade da tal Direita histérica demonstrou ou não perceber de Ciência política ou pelo menos não lhe estar a dar jeito as regras atuais. E como os portugueses são desenrascados, a Direita portuguesa também é e inventou regras novas. Nada de novo. Eu lembrei-me das aulas de Direito Constitucional do Fernando Seara que nos dizia que isolado como única peça de esquerda nos Orgãos de Soberania, em pleno Cavaquismo, Mário Soares fez oposição feroz como podia e inventou o Veto de Bolso. Desta vez Cavaco Silva meteu a esquerda no bolso. É quase o mesmo.

Por acaso o mesmo Fernando Seara também gostava de achincalhar os alunos nas orais com perguntas maldosas. 

"Então diga-me lá o Senhor, o Primeiro Ministro é eleito ou nomeado?"

O Pedro Tiago, melhor solista de Tuna do que estudante de Direito pisava sempre estas minas. Desconfio que Passos Coelho lhe seguiria o exemplo.

"Tão, é eleito Sodotôr! É, não, foi! Fui! É o que estou farto de lhes dizer! Eu é que ganhei!"

Depois lembrei-me da Teresa Coelho que era a assistente do Seara quando fiz a cadeira. Estava-a a ver ontem no Virgin sem som a debater com a Mortágua. Não sabia o que estavam a dizer mas também pouco importava. Eu estava a pensar que se fosse para posar para a Playboy, antes a Mortágua. A Coelho já então não era grande espingarda. E todavia tinha umas pernas jeitosas! Do que um gajo se lembra! A Coelho também andaria a dizer que o Primeiro Ministro é eleito?

Outro aspeto em que se fez História nos últimos dias foi termos percebido o imenso poder do Presidente da República no momento de nomear o Governo. A verdade é que, desculpe-me a Esquerda, a nomeação de um Governo PAF foi absolutamente legítima, como teria sido legítima a nomeação de António Costa. Como teria sido legítimo dar o Executivo ao PAN. Tenho dúvidas que não houvesse suporte Constitucional para a minha nomeação. Ou a da Cadela Martini. E, sim, estou a falar a sério. A norma é tão aberta como isso.

Discussão diferente é saber-se se Cavaco Silva decidiu bem.

Eu não vou discutir quem é que é melhor para o país, nem quem ofereça maiores garantias de estabilidade governativa. 

A primeira questão é demasiado complexa e subjetiva.

A segunda é demasiado simples. Ninguém oferece realmente grande estabilidade mas o Governo de Esquerda oferece muito mais que o do PAF já que este vai cair a não ser que o Largo do Rato entre em modo "Revolta na Bounty".

Mas há uma questão muito mais interessante que é a famigerada especulação sobre a intenção de voto dos portugueses. E ultrapassada a decisão de Cavaco Silva - ficará na sua consciência se tentou interpretar a vontade dos portugueses ou simplesmente seguiu a sua (vontade) vamos a um novo round de interpretação das vontades dos portugueses que deverá orientar todos os partidos - e que é o sentido de voto nessa agenda breve que fará - ou não - cair o governo.

A verdade é que não será um exercício fácil pelo simples facto de que os portugueses votam em partidos, deputados, caras. Votam a favor, votam contra, votam para concentrar o voto útil e para distribuir ovos por cestos. Votam para ganhar e votam para perder. Votam porque acreditam no programa e votam porque não acreditam.

Sendo assim creio que hoje e no que quer que se passe a seguir se cumprirá em qualquer caso o desígnio expresso pelo voto, pelo menos de alguns, que tenham votado em absolutamente todos os partidos.

E é por isso que subsistindo essa réstia de verdade estamos ainda assim perante sobretudo especulações para boi dormir.

O que recomendo?

Para a próxima que cada um vote no partido que realmente gostasse de ver a governar em vez de votar num exercício de adivinhação do que vá fazer o restante eleitorado.

Poupava-se muita retórica fiada consequente...




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