A arma mais insidiosa da publicidade é provavelmente a notícia jornalística por encomenda. E a arma mais insidiosa do marketing político é a análise política engajada. Assim se resolve o problema do descrédito das litigâncias em causa própria vendendo-se como análise isenta mera propaganda. Pensei nisto ao ler uma série de opiniões sobre a salganhada pós eleitoral e quem deva o PR nomear. A questão não é quem tem razão. A questão é que tentemos partir da conclusão para a fundamentação e não no sentido inverso.
Gosto de ler opinião política. Ajuda-me a formar os meus próprios pontos de vista.
O problema é que tenho cada vez mais a convicção de embuste.
Eu não me importo com as clivagens subjetivas ou ideológicas. E sobretudo não me importo com estas quando são honestas e evidentes. É bom ouvir vários pontos de vista que nos permitam situarmos-nos na constelação das possibilidades.
Tenho muito mais azedume quando ocorre que me estejam a vender banha da cobra sob o engodo de análise objetiva "quase científica". Porque podem suceder duas coisas. Ou eu tomo consciência disso e oscilo entre a irritação e o sorriso cínico, ou não tomo e às tantas dou por mim a ser levado no conto do vigário e a formar opiniões mal estruturadas. Não estou zangado porque sou agora uma besta contentinha a pensar que aprendeu algo. Mas devia estar zangado. E muito.
A arma mais insidiosa da publicidade é provavelmente notícia jornalística por encomenda. E a arma mais insidiosa do marketing político é a análise política engajada. Assim se resolve o problema do descrédito vendendo-se como análise isenta mera propaganda. Pensei nisto ao ler uma série de opiniões sobre a salganhada pós eleitoral e quem deva o PR nomear. A questão não é quem tem razão. A questão é que tentemos partir da conclusão para a fundamentação e não no sentido inverso.
Às tantas diz um cronista do DN
"Diz a Constituição que o Presidente da República convida o líder do partido mais votado a formar governo e é isso que deve acontecer."
Só que a Constituição o que diz é
CAPÍTULO II
Formação e responsabilidade
Artigo 187.º
(Formação)
1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos
representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.
O que não é a mesma coisa.
O que eu quero dizer com isto é que há espaço interpretativo para o cenário parlamentar à luz da Constituição e qualquer hipótese de Governo que se concretize não será desprovida nem de legitimidade técnica nem política.
E eu não me importo que num plano meramente subjetivo todos palrem que "Ou nós ou o caos."
Mas era importante que nos conformássemos de que são apenas opiniões e não dogmas que devamos impor com artifícios de temor reverencial a pretensos "factos".
Sem comentários:
Enviar um comentário